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A(S) IGREJA(S) INCLUSIVA(S): O MOVIMENTO LGBTQIA+ E(M) SUAS RELAÇÕES COM O RELIGIOSO NO CONTEXTO BR

Ayrton Matheus da Silva Nascimento


RESUMO:

O crescimento significativo do protestantismo evangélico brasileiro do final da década de 1990 ao ano de 2012, paralelo a emergência das Igrejas Inclusivas perfazem o objeto de investigação deste trabalho, no qual buscamos trazer algumas considerações em torno do movimento da Igreja Inclusiva no seio do cristianismo brasileiro, majoritariamente situado no cerne do protestantismo evangélico, elencando como esses grupos produzem representam em seus discursos demarcadores que os tornam particulares e os distinguem das demais vertentes religiosas. Em termos teóricos-metodológicos lançamos mão dos dispositivos da Nova História Cultural (CHARTIER, 1990, 1991; HUNT, 1992; PESAVENTO, 2013; BURKE, 2005; BARROS, 2018; etc.), no qual buscamos analisar uma reportagem produzida por um site de difusão do movimento, objetivando, deste modo, elencar quais representações estão materializadas enquanto marcas distintivas deste movimento. Nos permitindo compreender nuances e particularidades do movimento estudado, cujas representações produzidas apontam para um movimento contra hegemónica que evoca, enquanto aspecto constitutivo das suas identidades, a radical oposição à heteronormatividade, e a contraposição de uma hermenêutica, teologia e doutrina fundamentalista.


Palavras-chave: Igrejas inclusivas; Evangelicalismo Brasileiro; Fenômeno religioso; Teologia Inclusiva; Nova História Cultural.


INTRODUÇÃO

O crescente fenômeno religioso das igrejas inclusivas no contexto contemporâneo do evangelicalismo brasileiro é objeto central nesta pesquisa, no qual buscamos compreender a partir da definição de representação, como postulada pelo historiador R. Chartier (1990; 1991), investigar como estes grupos têm criado representações de/para si, em torno da proposta de distinção e/ou homogeneização do movimento ao qual perfazem.

De forma didática o movimento das igrejas inclusivas, conforme Jesus (2010), pode ser compreendida em três movimentos, sendo a fase inicial com o início da década de 1990 em igrejas protestantes, que adotam e se vinculam a uma Teologia Inclusiva (em torno das diferenças), tendo apoio de diferentes denominações protestantes e alguns segmentos católicos. Em um segundo movimento, ainda na década de 1990, fomentado por movimentos ativistas e militantes homossexuais. Além de um terceiro movimento, iniciado nos anos 2000 com a criação das igrejas inclusivas, cujo pioneirismo vinculado à tradição norte americana, com a sua inauguração em Niterói, em 2002, possibilitando o surgimento de outras igrejas no contexto brasileiro.

A importância de estudar este recorte específico sobre as formas de manifestação do e no religioso advém das inúmeras relações fulcrais estabelecidas entre a sociedade, Estado e a religião, presente nas mais distintas formas de organização social, desde as primeiras civilizações até a contemporaneidade. As quais nos permitem compreender inúmeros outros aspectos da vida social, que ressoam pela cultura, política, memória, economia, artes, etc. pelo seu caráter determinante nas demais esferas da vida e na forma em que estas se articulam, ao se investirem do poder e da autoridade criada em torno do divino, materializando, no seu bojo, práticas e representações que (re)produzem as formas de existência materiais, atravessadas e legitimadas pelos demarcadores/aspectos metafísicos e transcendentais.

Pensando especificamente ao contexto brasileiro, o fenômeno religioso sempre esteve presente, marcado de maneira muito plural, de antes da colonização com a manifestação das formas religiosas praticadas pelos inúmeros Povos Indígenas que aqui residiam, e que se preservaram em suas múltiplas formas resistência, ao movimento da colonização com a abrupta imposição do Catolicismo Romano, e posteriormente com a chegada de outras matrizes religiosas, a saber africanas, protestantes, etc. impulsionadas pelo movimento da reforma protestante, dentre outras. O fato é que pelo próprio movimento particular de desenvolvimento histórico das civilizações humanas, as diversas formas religiosas nos limites espaço-temporais que podemos investigar, e no que hoje compreendemos por Brasil, são inúmeros os caminhos tomados, permitindo, pelas condições sociais, históricas e ideológicas, presenciarmos a emergência de inúmeras outras formas, distintas e/ou sincréticas, que inclusive buscam romper das matrizes que se tornaram mais expressivas e hegemônicas, produzindo novos (re)desenhos no cerne religioso que perdura e influencia a história das civilizações por séculos.

Nos aproximando ainda mais do contexto brasileiro, vejamos como Buzin (2011), nos pontuam estas questões:

O Brasil é um país de ampla maioria cristã e, especificamente, de maioria católica. Historicamente, o Catolicismo chegou aqui em 1500, mesmo ano do descobrimento do Brasil. Por herança da colonização portuguesa, o Catolicismo foi a religião oficial do país desde a sua primeira Constituição, em 1824, até 1890, quando a liberdade religiosa foi instituída por decreto, o que passou a constar nas constituições brasileiras a partir de 1891. Depois disso, pelo fato de já ter sido a religião oficial do país, o Catolicismo permaneceu sendo a religião mais aceita socialmente e a não adesão a ele trazia obstáculos à ascensão social. Atualmente, o Brasil é considerado o maior país católico do mundo em número absoluto de fiéis. (BUZIN, 2011, p. 106)

Como vimos, da hegemonia fortemente expressiva acarretada pelo movimento colonial, e em termos oficiais o catolicismo se estabeleceu desde a chegada dos portugueses, pois a visão eurocêntrica era de que os nossos nativos não possuíam nas suas formas de existência, muito menos em sua linguagem o importante indicador para promoção do desenvolvimento civilizatório do F, de fé (SALVADOR, 1982). O que fortaleceu as relações hostis de sobreposição entre os colonizadores e colonizados. Claro que minado por inúmeras resistências indígenas e africanas, etc. tendo apenas 1890 e 1891, marcos significativos no nível da lei que permitiram as manifestações religiosas de outras vertentes serem publicamente cultuadas.

A questão que queremos então passar a destacar para além das formas de manifestações que o religioso se efetivou historicamente, em termos de hegemônicos e não hegemônicos, e dos embates entre si, consiste em voltar o nosso olhar para um outro fator que marca estas manifestações, que é o seu poder de legislar sobre as subjetividades, e os corpos, principalmente quando pensamos nas questões que materializam o gênero e a sexualidade, por inúmeros dispositivos de punição e controle (FOUCAULT, 1985;1988; 2001; 2002).

Estes mecanismos marcam essencialmente as minorias e os diferentes, fornecendo condições hostis de (re)existências a fim de manterem a coesão e coerção destes movimentos (DURKHEIM, 1997; 2000) e a perpetuação das suas leituras de certo e errado, sagrado e profano, pecado e virtude, etc. principalmente em torno das dissidências nos termos de sexualidade.

Para Buzin (2011), pensando dentro do contexto do catolicismo, a principal vertente predominante no nosso país, mas que nos fornecem importantes aspectos para pensarmos em outros terrenos do religioso que padronizam e regem os corpos, etc. possuem e argumentam sobre a sexualidade, no bojo do discurso institucional o:

caráter poderoso, que serve a múltiplas razões: perpetuar a desigualdade entre homens e mulheres e entre o masculino eo feminino; criar e manter a fronteira entre o “nós” – determinando o que é normal, portanto aceito ou valorizado – e os “outros”, os que fogem à normalização e devem ser rejeitados; criar condições de controle das sexualidades e dos corpos, e, portanto, de comportamentos e pensamentos; oferecer alternativas sagradas, dentro de um vasto mercado religioso, de redenção dos pecados e salvação. (BUZIN, 2011, p. 122)

Assim sendo, estes discursos operam e perpetuam as formas de individuação dos sujeitos (ALTHUSSER, 1985), produzindo a manutenção das inúmeras desigualdades de gênero e sexualidade que atravessam e estruturam o campo religioso. Desta forma, se produzem discursos e práticas moralizadores e patologizantes quanto ao que difere da norma, e convocam dos sujeitos que compõem estes espaços a rejeição, periferização e marginalização aos sujeitos dissidentes, a fim de estabelecer formas de controle sobre as sexualidades, sob a investidura de alternativas de salvação.

Referente ao protestantismo evangélico, o argumento defendido por Natividade (2020), com base nas suas análises, é de que:

No Brasil, igrejas evangélicas são, em grande parte, reprodutoras de discursos heteronormativos sustentados pela incisiva interdição da homossexualidade. Nelas, a presunção da universalidade da heterossexualidade, sob a máxima da criação de uma humanidade inteiramente ‘heterossexual’, é a regra. (NATIVIDADE, 2020, p. 349)

Deste modo, a heterossexualidade, pelo domínio e expressão da maioria, se mantém como norma, inclusive dentro dos espaços católicos/evangélicos, promovendo hegemonicamente, enquanto reflexo social, a interdição em torno de outras subjetividades possíveis, e a reprodução do caráter de universalidade e naturalização em torno dos seus pontos de vista sobre estas questões.

Outro fato que julgamos relevante é o fato destes segmentos protestantes evangélicos se apresentarem, dos quais abrigam as igrejas inclusivas, em um número crescente e progressivo, de modo significativo, como o último estudo, até então, da Economia da Religião nos respaldam, em análises que compreendiam dos anos de 1872 a 2003.


Figura 1: Números de desenvolvimento das religiões no Brasil 1878-2003

Fonte: NERI, Marcelo. Economia das religiões. Rio de Janeiro: FGV/IBGE, 2007.


Para nós, esse crescimento quantitativo no número de evangélicos, nos permite compreender os novos desenhos que o fenômeno religioso tem ganhado no nosso território brasileiro, além de nos permitir interrogar sobre a ética (WEBER, 2004) que atravessa o funcionamento e a constituição contemporânea da realidade social brasileira em decorrência da sua forte influência no contexto público e cultural.

No último censo produzido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), em 2010, os números referentes a religião se desenharam nos seguintes termos:


Figura 2: Religião-2010

Fonte: CENSO IBGE, 2010.


Destes números, apesar da sua não precisão quanto aos números referentes as Igrejas Inclusivas, nos interessa pensar e perceber que dentre eles existem, e, portanto, refletem também no crescimento destes movimentos e dessas igrejas denominadas de inclusivas.

Percebemos que o número dos evangélicos, crescente, encontra-se apenas atrás das vertentes do catolicismo pela sua história de hegemonia desde o período colonial, representando dados significativos sobre os rumos futuros que as expressões do religioso têm se desenhado. Como nós destacou o último censo do IBGE, em uma de suas reportagens pela agência de notícias:

Os evangélicos foram o segmento religioso que mais cresceu no Brasil no período intercensitário. Em 2000, eles representavam 15,4% da população. Em 2010, chegaram a 22,2%, um aumento de cerca de 16 milhões de pessoas (de 26,2 milhões para 42,3 milhões). Em 1991, este percentual era de 9,0% e em 1980, 6,6%. Já os católicos passaram de 73,6% em 2000 para 64,6% em 2010. Embora o perfil religioso da população brasileira mantenha, em 2010, a histórica maioria católica, esta religião vem perdendo adeptos desde o primeiro Censo, realizado em 1872. Até 1970, a proporção de católicos variou 7,9 pontos percentuais, reduzindo de 99,7%, em 1872, para 91,8%. (AGÊNCIA NOTÍCIAS IBGE, 2012)

Este crescimento deve ser lido e compreendido a partir da influência pública e civil que o crescimento do protestantismo evangélico tem colocado no contexto político da sociedade brasileira, inclusive por parte de todos os seus segmentos, nos quais nos interessa as igrejas inclusivas, que paralelamente também se desenvolveram, marcando, deste modo, sob luta e resistência, os seus espaços, sob o qual verterá o nosso movimento investigativo.

Mas, afinal, antes de prosseguirmos, o que são as igrejas inclusivas?

‘Igreja Inclusiva’ é o termo êmico e controverso pelo qual se designam essas igrejas, que em geral pode ser definidas por compatibilizar sexualidades não heterossexuais e religiosidades cristãs, majoritariamente evangélicas. As igrejas inclusivas são um fenômeno recente no Brasil, surgido a partir do final dos anos 1990 com a articulação de alguns grupos que discutiam religião e homossexualidade a partir da experiência de LGBTs em suas igrejas de origem. Mas é somente a partir do início dos anos 2000 que acontece uma proliferação de diversas denominações religiosas inclusivas no Brasil. (JESUS, 2010, p. 132)

Ou seja, a designação de Igreja Inclusiva, para além das suas controvérsias, é empregada ao movimento e forma de expressão religiosa, cuja principal caraterística repousa sobre o acolhimento e a aceitação das dissidências sexuais não heteronormativas, ligadas às formas de religiosidades cristãs, em sua maioria evangélicas, emergentes no Brasil, a partir da década de 1990, tendo maior expressividade a partir de 2000 com a difusão das igrejas sob o espectro doutrinal e teológico de caráter inclusiva.

Sobre o seu crescimento, Jesus (2010) atribui aos seguintes fatores:

A expansão das igrejas inclusivas se dá não apenas pela experiência de exclusão de seus líderes nas suas igrejas de origem, mas, sobretudo pela configuração de importantes diferenças teológicas e de adoção de condutas morais (sexuais) entre as próprias igrejas inclusivas. Da mesma forma em que é possível perceber diversos modos com que estas “novas” igrejas lidam com a diversidade sexual é possível também perceber diferenças na forma como constroem suas concepções de “femininos” e “masculinos”. (JESUS, 2010, p. 123)

Além da experiência de exclusão de LGBTs pelas suas respectivas igrejas tradicionais, os próprios aspectos teológicos, doutrinários e eclesiológicos, as leituras em torno da sexualidade, e os papéis de gênero entre o feminino e o masculino, adotados por estas comunidades, propulsionaram a emergências destas outras igrejas, tendo em vista a predominância doutrinal no cristianismo da heterossexualidade naturalizado enquanto norma.

Concernente aos aspectos teórico-metodológicos, que têm norteado as nossas reflexões, buscamos marcar a nossa inscrição a partir dos contributos da Nova História Cultural (CHARTIER, 1990, 1991; HUNT, 1992; PESAVENTO, 2013; BURKE, 2005; BARROS, 2018), no qual, o nosso interesse investigativo se volta ao estudo e a compreensão da "[...] 'cultura popular', a 'cultura letrada', as 'representações', as práticas discursivas partilhadas por diversos grupos sociais, os sistemas educativos, a mediação cultural [...] ou a quaisquer outros [...] atravessados pela polissêmica noção de 'cultura'" (BARROS, 2018, p.126).

É esta História Cultural – aqui entendida no sentido de uma história da cultura que não se limita a analisar apenas a produção cultural literária e artística oficialmente reconhecida [...] toda historiografia que se tem voltado para o estudo da dimensão cultural de uma determinada sociedade historicamente localizada. (BARROS, 2018, p. 126)

De modo, que por meio do demarcador da cultura, enquanto resultado da produção humana (LARAIA, 1986), nos seus aspectos tangíveis e intangíveis (GIDDENS, 1994), aos quais envolvem aos sujeitos (GEERTZ, 1989), que temos buscado abarcar a multiplicidade de temas, inclusive a estas produções as quais efetuamos o nosso gesto de análise vertendo o nosso olhar aos mais distintos grupos que constituem a realidade social.

Em outras palavras, Chartier (1990, p.19) nos aponta que:

Desta forma, pode pensar-se uma história cultural do social que tome por objeto a compreensão das formas e dos motivos – ou, por outras palavras, de representações do mundo social – que, à revelia dos atores sociais, traduzem as suas posições e interesses objetivamente confrontados e que, paralelamente, descrevem a sociedade tal como pensam que ela é, ou gostariam que fosse.

E é justamente neste movimento de compreender estas representações, que nos permitem apreender sobre o mundo social, ao nos traduzirem como esses grupos constroem significados para si, e com os quais nos tangibilizam as suas formas de apreensão da realidade, que procuramos traçar a nossa investigação.

Estas representações produzidas sobre o mundo social tratam-se de construções, permeadas por interesses de grupos que as produzem (CHARTIER, 1990), impossíveis de neutralidade, pois são frutos das experiências historicamente, localizadas e situadas, dentro do político e do social, enquanto um lugar privilegiado para a nossa reflexão.

Deste modo, os nossos recortes consistem em representações do mundo social, na forma em que os sujeitos, vinculados a grupos a experiências, as representam, como formas de produzir estratégias e práticas que concorrem e competem com outras, em termos de poder e de dominação e acerca dos valores adotados e as leituras produzidas do mundo social (CHARTIER, 1990).


A CONSTITUIÇÃO DO CORPUS E MOVIMENTO DE ANÁLISE

O corpus recortado se constitui em três excertos, retirados do site/blog, que objetivam caracterizar, descrever e publicizar o movimento intitulado Igreja Inclusiva, no Brasil e no mundo. Na nossa busca por fontes que nos permitissem perscrutar o movimento, inúmeros sites, trabalhos e materiais foram levantados, entretanto pela estrutura deste trabalho limitamos o nosso recorte a um material em específico. Selecionado em um primeiro momento pelo seu ano de abrangência e a sua relação com o crescimento do movimento e ao material que este contém, além da sua nominação estar diretamente ligada ao movimento.

Ademais, os critérios empregados na seleção dos recortes analisados consistiram estritamente nos que objetivavam informar ao leitor o que é a igreja e a teologia inclusiva, nos permitindo aprender como estes grupos constroem representações no/do mundo para si.

O material que se encontra disponível ao leitor, consiste em inúmeras reportagens que compreendem o período de 20/06/2011 até a última postagem, então, em 19/06/2020. No qual buscam informar desde questões teológicas, às inúmeras leituras que o movimento produz sobre as questões sociais.


Figura 3: template do site por uma igreja inclusiva

Fonte: Site igreja inclusiva.


Um primeiro demarcador importante, com o qual devemos considerar, trata-se da construção e trabalho por meio do enunciado “Por uma Igreja Inclusiva" no qual já exprime em seus termos a demarcação por uma tomada de posição, de partido, de posicionamento, no qual este deve, essencialmente, acolher e incluir. O I de igreja, convocado pela imagem da cruz, também busca apresentar e representar ao interlocutor as suas identificações ao sacrifício vicário da figura de Jesus Cristo, de modo que este deve motivar os sujeitos a incluírem e não a excluírem os diferentes e os que decidem da norma, da moral, etc. Existe, nesta primeira representação, uma retomada/reforço ao serviço, humildade, acolhimento, etc. que seria, nesta perspectiva, o principal mandamento e exemplo deixado e transmitido, aqueles que desejam segui-lo e serem, hoje os seus (verdadeiros) discípulos.

O movimento de arco-íris ao conectar as duas imagens, entre o passado e o presente, produzem, em um primeiro momento a imagem de vínculo que busca produzir legitimidade e historicidade ao movimento. Também o reforço e a afirmação da existência de mudanças no hoje, produzidas ao longo tempo, e a não estaticidade da igreja, cujo movimento da Igreja Inclusiva busca exprimir, além da representação de valores que movem o fazer no religioso em torno e motivado por uma visão, propósito, missão e chamado ao serviço, a todos indistintamente como semelhante aos tempos dos relatos neotestamentários (BÍBLIA, 1997).

A imagem também convoca o que seria uma representação do episódio da mulher adúltera que foi conduzida pelos religiosos até Jesus para ser apedrejada, por descumprimento da lei de Moisés, entretanto, Jesus a libertou da condenação por meio do ensinamento do perdão. Na parte inferior da imagem, a imagem busca resgatar o recorte escriturístico, no qual “Deus não faz acepção de pessoas”. Produzindo, por meios destes dois trabalhos no nível imagético, a ênfase e o reforço dado a recepção das pessoas na sua singularidade, independente das suas práticas, como este movimento tem buscado apontar no seu discurso oficial. As imagens também trazem figuras ao lado, de expressões afetivas entre LGBTS, coladas sob uma imagem do céu e pela presença da imagem e da luz do sol, abrindo e convocando de maneira pública a legitimidade da dimensão afetiva, recebida e aprovada, dentro ou fora dos espaços religiosos, por LGBTs.

Este trabalho que também consiste em uma construção discursiva objetiva representar importantes valores que caracterizam estes grupos, com os quais busca trabalhar essencialmente pela memória, o valor da aceitação e perdão diante de Deus, dos homens e dos religiosos, e que, portanto, este deveria ser um movimento de acolhimento, aceitação, respeito às diferenças, etc.

Também destacamos o recorte presente na parte inferior da imagem, cuja inscrição se inscreve na oferta do evangelho para a comunidade LGBT, com o qual nos promove a reflexão de pelo menos dois movimentos. O primeiro deles, referindo-se ao fato de que estes grupos estariam separados, a margem, e sem a oferta do evangelho. Produzindo, deste modo, a necessidade e a pertinência deste trabalho desenvolvido por estes movimentos. E que por tanto, este movimento, estaria investido desta responsabilidade social. Um segundo movimento, seria o de que este evangelho para a comunidade LGBT seria específico e destinado a atender as demandas sociais, físicas, emocionais, espirituais, etc. destes grupos, não contemplados no centro dos movimentos ortodoxos.


Figura 4: Template de boas-vindas do site Igreja Inclusiva

Fonte: Site Igreja Inclusiva, acesso em 24 set. 2021. Disponível em: <https://igrejainclusiva.blogspot.com>.


O site e o seu material têm o objetivo de fornecer e informar ao leitor em torno das questões que tocam as principais características do movimento. De modo que convidam o sujeito leitor a descobrirem este movimento marcado essencialmente pela Teologia Inclusiva, e cujas marcas históricas se desenvolvem a partir do movimento teológico atrelado a figura de Troy Perry, enquanto primeiro pastor assumido homossexual e o pioneirismo na pregação de um evangelho inclusivo para os LGBTS, paralelo ao desenvolvimento e a emergência da Teologia Inclusiva em 1968. Desta forma, o movimento no Brasil, apesar de indicar uma relação a esta emergência norte americana, não se resume especificamente a uma linha ou vertente denominacional específica, pois sob distintas condições históricas e contextos, e sob as bases da Teologia Inclusiva inúmeras denominações em solo brasileiro surgiram.

Conforme Jesus (2010), o surgimento destas igrejas inclusivas corrobora e se fortalecera, a partir de outros dois momentos, como vemos:

É neste contexto [...] permeado por disputas e conflitos que inicia-se a implantação e a proliferação das “igrejas inclusivas” no Brasil. Nos Estados Unidos, desde a década de 60 do século passado, acontece a emergência de movimentos gays cristãos. Esse movimento também é refletido e começa a tomar corpo aqui no Brasil desde o final da década de 1990 e, hoje assim como nos E.U.A, o surgimento de grupos religiosos organizados sob a bandeira LGBT, torna-se cada vez mais visível e causa impacto, não apenas no campo religioso, mas no enfrentamento das questões ligadas aos direitos LGBTs. (JESUS, 2010, p. 135)

O primeiro deles, em relação ao contexto de conflitos e disputas dentro das igrejas ortodoxas e tradicionais, precedida também por toda movimentação desde a década de 1960, nos Estados Unidos, por movimentos gays cristãos, abrindo espaços aqui no Brasil ao final da década de 1990, além do surgimento de grupos religiosos publicamente manifestos enquanto LGBTs, em paralelo aos grupos LGBTs não cristãos na luta política por direitos sociais.

Em um segundo momento, temos o surgimento também propiciado e provocado pela participação de homoafetivos nas igrejas/espaços religiosos, permitindo o surgimento de igrejas que na sua prática cotidiana não fosse marcada pela reprodução ou descriminação aos sujeitos não heterossexuais (JESUS, 2010).

O material, como podemos observar, em sua inscrição, demarca o seu público alvo hegemônico, a saber: Gays, Lésbicas e Transgêneros, etc. ao pressupor que estas modalidades eclesiológicas tradicionais comuns não atendem de maneira adequada a estes sujeitos, ou que antes deveriam receber uma atenção e um evangelho especializado para as suas demandas particulares.

Deste modo, estes movimentos ao incluírem, buscam estabelecer e produzir releituras "contextualizadas" da bíblia. Sendo este livro em particular, a base material mais significativa para os grupos cristão, lidos, adotados e considerados enquanto inspirados. Dando, inclusive, os parâmetros para a compreensão das dimensões morais e éticas dos sujeitos que a ela se filiam, e/ou as tradições que a ela se identificam. A ênfase, como podemos observar, dada a maneira contextualizada na releitura estabelecida, refere-se às condições históricas que estes grupos se encontram incluídos, tendo em vista o caráter hegemônico e heterossexual que preside a tradição cristã religiosa com a qual estes sujeitos são incorporados para manifestação e prática de fé nos espaços religiosos.

Na definição deste movimento, uma outra tensão é colocada, ao produzirem uma visão de cisão, ao buscarem se distinguir e romper do chamado fundamentalismo religioso, que restringiria a sexualidade à relação heterossexual enquanto o padrão correto imposto por Deus. Apontando, no seu discurso oficial a princípio de que a bíblia não reprova de forma alguma a afetividade homoerótica, propondo um evangelho para todos e todas, sem que necessite haver por parte dos sujeitos homoafetivos uma mudança para vivenciarem a experiência com religioso e o sagrado.

Apontar estes distintivos, nas leituras produzidas de si, corroboram com os aspectos pontuados por Chartier (1990), pois nos permitem perceber que em nenhum momento estas questões devem ou podem serem lidas a parte dos interesses dos grupos, das relações de poder que estas estabelecem e das disputas com outras representações do/no mundo social na reprodução e/ou rompimento das relações que historicamente se desenham e se estabelecem se inscrevendo no social.

A vindicação de uma teologia inclusiva no movimento implica em não apenas apresentarem um segmento que se propõe essencialmente ser inclusivo por excelência, mas denota a sua inscrição em um sistema de ordenação de fé, lógica, sistematicidade e prática que prima por excelência incluir as diferenças no seu bojo de ação e alcance, enquanto modelo hermenêutica e compreensão da realidade e de legitimação das suas práticas.


Figura 5: Matéria do site Igreja Inclusiva

Fonte: Site Igreja Inclusiva, acesso em 24 set. 2021. Disponível em: <https://igrejainclusiva.blogspot.com>.


Outro aspecto importante que se presentifica na nossa corpórea consiste no fato do movimento se colocar enquanto pertencente ao movimento maior cristão e não a um segmento específico do protestantismo, embora a maioria se encontre dentro dos limiares do evangelicalismo. Entretanto, demarcar este lugar implica em distingui-los de outras tradições e vertentes agrupadas por este designativo, de modo a reivindicar a pertinência do movimento também enquanto uma linhagem que se liga à figura de Jesus histórico. Produzindo, então, a imagem de uma linearidade, cuja ênfase reside na preservação de valores que sejam identificáveis e primordiais a história do cristianismo e a sua figura central, isto é, de Jesus.

Também consiste, por parte do movimento, a vindicação e a acusação de uma ausência dos movimentos mais ortodoxos em ações e práticas inclusivas para os LGBTs, sendo estes também um grupo que deveria serem alcançados, semelhante ao grande movimento iniciado por Jesus, cuja uma das suas principais características residiam na inclusão dos desprezados e marginalizados socialmente. E, que, por tanto, a forma em que estas linhagens cristãs, hegemônicas e tradicionais, estariam conduzindo o movimento, sob o escopo do fundamentalismo, estariam distantes, descontextualizada e desconexa, concedendo a legitimidade e a necessidade do surgimento e a emergência deste novo movimento inclusivo.

Para estes grupos, a igreja é tomada enquanto um novo chamado, função, missão, a estabelecer no centro do movimento tradicional e ortodoxo uma nova reforma. E, por tanto, ao se proporem enquanto o novo não deveria reproduzir, as marcas das igrejas tradicionais cujos discursos e práticas (morais) estariam segregando aos grupos LGBTQIA+.

Ao retomar as marcas da reforma, ainda que não intencional, para além de revogar a necessidade de transformação e de mudança ao movimento das igrejas ortodoxas (não inclusivas, neste caso), escapa a ideia de cisão, e de criação de um novo movimento no centro da que já está estabelecida. Em outros termos, pensar em uma nova reforma, convoca o funcionamento da "velha" reforma, com a criação de um segmento novo, e que se julgam serem os portadores da verdade religiosa.

Neste caso em particular, a reforma proposta, presente no recorte acima, disputa na e pela igreja que se designa do senhor Jesus, ou seja, o lugar, estabelecendo, deste modo, o seu palco de luta. Marcando este recorte pela promoção e necessidade de uma mudança, ruptura, para garantir e vindicar o seu espaço e a não reprodução de preconceitos e desigualdades no seio do movimento cristão.

Este movimento inclusivo, também se coloca e é fortemente marcado pela ideia de uma ruptura, que não se restrinja ao "saber", “ler”, "rever" e "reconstruir a fé", mas, de nas suas práticas, reproduzirem e produzirem o novo fenômeno da efetiva inclusão. Pois, como vemos, para eles, as igrejas contemporâneas, inclusive algumas que se dizem inclusivas, sob escopo do tradicionalismo seriam repetições do fundamentalismo, além de reprodutoras de discursos falsos, moralistas, e que sofrem constantemente com a falha de seus membros pelo que seria a sustentação de uma forma de vida e de organização não espontânea.

A esta altura, é importante que se diga, para não incluirmos em generalizações, que os recortes aqui analisados não respondem ou se apresentam ou buscam representar pela totalidade do movimento, que nos parece plural e diversos em si, mas apenas de um funcionamento que também ressoa no movimento estudado, e, portanto, nos é possível e plausível de análise, nos permitindo ponderar importantes considerações sobre as/estas formas de manifestação no fenômeno religioso.


CONSIDERAÇÕES FINAIS

Como podemos perceber, o(s) movimento(s) da(s) igreja(s) inclusiva(s), ainda que não possuam a demarcação central de um lugar específico entre o catolicismo e o evangelicalismo, além da sua maior expressividade no meio protestante evangélico, este busca-se situar no seio do movimento maior cristão, paralelo a outras tradições e por tanto na produção de discursos e práticas que os colocam enquanto válidos, tanto quanto os demais segmentos dentro deste espectro cristão maior.

Das suas origens, como no pontuaram os autores, emergem a partir da experiência de LGBTs não aceitos na sua diversidade nas igrejas tradicionais e/ou com base na divergência em pontos teológico-doutrinais, morais, etc. no qual a predominância heteronormativa se apresenta enquanto valor de maior peso, corroborando nesta diferença e "cisão".

É importante na apreensão deste segmento perceber também as suas relações com a memória, para além de um designativo muito forte como semelhante a toda a tradição religiosa cristã. Mas como um trabalho valorativo, em que, estes grupos, têm buscado exprimir e estabelecer pontes com valores de respeito, não julgamento e inclusão, que se vincularam a figura de Jesus na história, servindo-os de fundamento para resistir às leituras mais ortodoxas, com a presentificação e reivindicação de novas possibilidade de também experienciar o religioso, diferente das formas mais convencionais e heterossexuais.

Dos recortes analisados também podemos destacar a forte reivindicação do movimento em torno da real necessidade de cisão e ruptura dentro dos movimentos/igrejas dos que se dizem inclusivas, para a não reprodução do movimento tradicional e fundamentalista (dentro dos seus espaços), já saturado pelos conflitos históricos, e, por tanto, que busquem e expressem estabelecer um novo desenho, rompendo com os elementos propulsores das desigualdades, a saber, teologias e hermenêuticas tradicionais e algumas leituras estabelecidas sobre os textos sagrados.

Nos nossos recortes em específico, vemos que se trata de um movimento que busca se fundamentar primariamente no deslocamento em relação a heterossexualidade e a valores creditados a figura de Jesus, semelhante aos demais segmentos cristãos, entretanto, no que se concerne aos princípios reguladores, empregam e preterem a seleção de demarcadores de inclusão, respeito, aceitação e não julgamento das diferenças dos sujeitos.

O seu alvo, se coloca enquanto um movimento de aceitação e suporte emocional, espiritual, etc. aos sujeitos LGBTs que não foram aceitos, ou que buscam outras formas de se relacionar com o divino em uma dimensão que comporta e aceita as suas subjetividades e sexualidades não heterossexuais.

Em termos históricos, trata-se de um movimento ainda recente, na medida em que este convoca o seu lugar e espaço. Não estamos afirmando com isto que não houveram expressões LGBTs na história da ortodoxia cristã, entretanto que estes, como observamos, enquanto movimento articulado, que vindica e produz os seus espaços, trata-se sim de um fenômeno recente.

Concebê-lo a nível de Brasil também constitui um acontecimento importante para analisarmos os caminhos e os redesenhos do religioso na contemporaneidade, pois se trata de uma realidade social de forte expressão, e que tem crescido paralelo ao forte crescimento do protestantismo evangélico, ainda que eles não se denominam prioritariamente enquanto evangélicos, mas enquanto cristãos.

Deste modo, apesar de recortar um pequeno flash deste movimento maior, também diverso entre si, percebemos características que nos permitem conceber o religioso nas suas (novas) formas de individuação da vida social e dos sujeitos, principalmente em termos de como estes percebem o gênero e a sexualidade, em/nas suas relações com o religioso, no atravessamento e constituição das determinações das suas subjetividades.

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