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AS LÉSBICAS NO JORNAL NUANCES: COMO A HOMOSSEXUALIDADE FEMININA APARECE NAS PRIMEIRAS EDIÇÕES

DO PERIÓDICO (1998-2000)


Lavínia de Moura Lopes[1]

Resumo:

Uma das fontes utilizadas para estudar os movimentos sociais são os periódicos produzidos e consumidos por eles. No contexto do movimento homossexual gaúcho temos o Jornal Nuances, publicado e distribuído pela ONG de mesmo nome. Nesse trabalho buscamos encontrar onde e como as lésbicas aparecem nas primeiras edições do jornal (1998-2000). A mídia gay e a imprensa lésbica são campos diferentes, então buscar sobre lesbianidade em um jornal que se propõe a unidade da comunidade é bastante interessante. Encontramos como a representatividade lésbica muda conforme as edições, no começo tratando apenas de mulheres na mídia e estrangeiras, posteriormente falando de casos regionais e reais.


Palavras chaves: Historiografia Lésbica; LGBTQIA+; História de Gênero; Imprensa Alternativa.

A imprensa alternativa produzida e consumida por militantes de movimentos sociais pode ser um material essencial para o estudo desses grupos. No contexto do movimento homossexual brasileiro, temos alguns nomes bem conhecidos, como por exemplo, um dos pioneiros, Lampião da Esquina[2], que se tornou referência em nível nacional ainda no final dos anos 1970. No Rio Grande do Sul podemos citar o Jornal Nuances[3], que seria diretamente influenciado, com uma relação de continuidade do Lampião (BARROSO, 2007).

O jornal gaúcho, que teve suas primeiras edições no final dos anos 1990, tem grande importância na comunidade LGBTQIA+[4] da região, sendo ainda hoje ativo como uma organização não-governamental (ONG). Fernando Luiz Barroso (2007, p. 14), em sua tese, analisa o jornal e o fator de diferenciação de outras mídias desse tipo, por ser financiado “com fundos provenientes de projetos de financiamento firmados com o governo brasileiro e agências internacionais”, e ter a distribuição gratuita. Pensando na relevância da ONG no movimento homossexual, pelos direitos humanos e pelas Paradas Livres que envolvem todas as letras da sigla, essa pesquisa busca encontrar como as mulheres lésbicas eram representadas nessas primeiras edições, no final do século XX.

João Silvério Trevisan, no livro Devassos no Paraíso, escreve que a sua intenção ao publicar sobre a homossexualidade no Brasil era “ajudar a recompor um território tantas vezes camuflado (quando não apagado) da vida e da cultura brasileira.” (TREVISAN, 2018, p. 25). Esse aspecto de trazer para a história objetos antes ignorados também é percebido no campo de História das Mulheres e História de Gênero. Joan Scott, historiadora e intelectual feminista em seu artigo Gênero: uma categoria útil para de análise histórica, onde analisa estudos sobre a História das Mulheres que utilizavam o termo gênero. E ressalta que “História é tanto objeto da atenção analítica quanto um método de análise. Vista em conjunto desses dois ângulos, ela oferece um modo de compreensão e uma contribuição ao processo através do qual gênero é produzido” (SCOTT, 1994: 13-14). E outro ponto importante que a autora questiona é o aspecto de “trazer a luz” histórias escondidas, como por exemplo, “o mundo escondido da homossexualidade”, em seu texto Invisibilidade da Experiência em que aborda os estudos sobre experiencias de categorias que foram historicamente excluídas.

Judith Butler (2003) também tem uma interessante contribuição teórica para a categoria gênero, pois questiona aspectos entre sexo/gênero e demonstra problemáticas da heteronormatividade e da heterossexualidade compulsória. Logo, perceber o papel das construções de gênero e suas relações com a homossexualidade feminina, como se relaciona entre os dois campos é essencial. E ainda assim, podemos notar a falta de capítulos, ou parágrafos que sejam, sobre mulheres lésbicas em produções sobre História das Mulheres, ou até mesmo a falta de protagonismo reservado a elas no movimento LGBTQIA+. Por isso, a importância de pesquisas como esta, em buscar uma intersecção entre esses temas.

Ainda no livro de Trevisan, temos referência ao periódico ChanaComChana[5]. Reforçamos a importância do folhetim como pioneiro do ativismo lésbico impresso brasileiro, produzido pelo GALF[6] na década de 1980. Vendido no Ferro’s bar em São Paulo, local frequentado por lésbicas e mulheres que se envolviam com mulheres. Quando o dono tenta parar a venda, temos um importante evento, chamado até de “nosso pequeno Stonewall” pelo jornal Lampião, onde as militantes se manifestaram contra a repressão sofrida no recinto, e recebem apoio de outros grupos dentro da comunidade, no ano de 1983. Também foi estudado por Paula Silveira-Barbosa e Gabriela Coutinho (2019) no artigo Lésbicas e o combate às discriminações nas páginas do boletim ChanaComChana.

Coutinho (2019) apresentou mais sobre o periódico em seu trabalho de conclusão em história Lésbicas No Debate Da Redemocratização: Uma Análise Do Boletim Chanacomchana. E Silveira-Barbosa (2021) também pesquisa os desafios de historiar a Imprensa Lésbica brasileira onde apresenta outros jornais e boletins, como Amazonas, Xerereca, um outro olhar, Deusa Terra, Libertária, Femme, Folhetim e GEM. Se na década de 1980 os grupos de defesa da livre orientação sexual vão ser engajados na campanha contra a definição patológica das sexualidades que fogem a heteronormatividade, nos anos 1990 temos as ações de combate e prevenção ao vírus HIV.

(...) diante da inércia do Estado brasileiro e da grande estigmatização dos LGBTs, a partir de discursos médicos e midiáticos, os movimentos sociais entraram em cena. Suas ações foram as primeiras medidas de combate à doença e, consequentemente, à discriminação dos portadores do vírus e de grupos considerados vulneráveis. (SILVEIRA-BARBOSA; COUTINHO. 2019. p. 98)

A maior parte desses grupos específicos se estabelece no eixo Rio-São Paulo[7], em outros estados geralmente se organiza em movimentos que tratam as questões de orientação sexual e identidade como um grupo, dificilmente tendo movimentos independentes nesse contexto.

No Rio Grande do Sul o Nuances vai ter esse papel, e a essa pesquisa busca encontrar quais textos foram publicados com a temática lésbica como público-alvo, ou pelo menos como objeto de escrita. Como elas eram vistas pelo movimento no final da década de 1990 e transição para o século XXI. E com que frequência. Também se existia algum tipo de representação sobre bissexualidade feminina, logo que é um assunto ainda menos especificado em pesquisas sobre a comunidade.

Procurando refletir sobre algumas dificuldades que Paula Silveira Barbosa (2021) vai trazer em seu capítulo os desafios de historiar a imprensa lésbica brasileira, pesquisando sobre uma perspectiva lésbica, investigando a questão da memória coletiva desse grupo. Segundo Tania Regina de Luca (2008) o uso de periódico deve ser analisado com cuidado, assim como qualquer outra fonte. Não utilizaremos o Jornal Nuances como um espelho da realidade, mas sim para refletirmos sobre as questões que envolvem a militância homossexual da época. Outros textos metodológicos de como trabalhar história e jornais seriam as armadilhas do jornal: algumas considerações metodológicas do seu uso para a pesquisa histórica de Cláudio Pereira Elmir (1995) e notas sobre uma experiência de trabalho com fontes: arquivos privados e jornais de Ângela de Castro Gomes (2015).

Outro ponto relevante é que a fonte não foi apenas utilizada deslocando seu conteúdo do contexto, na verdade é importante para a compreensão do mesmo. Para Luca (2008) o uso da imprensa como fonte começa a mudar quando o objeto da pesquisa se relaciona com o movimento operário. “Agora não se tratava mais de lidar com jornais de cunho empresarial, capazes de influenciar a vida política, mas de manejar folhas sem periodicidade ou número de páginas definidas, feitas não por profissionais, mas por militantes abnegados”. (LUCA, 2008, p. 119). O que se encaixa em como vamos analisar a mídia gay[8].

Também o uso desses periódicos alternativos é interessante para percepção dessas outras categorias. Ainda sobre a imprensa operária Luca vai ressaltar o “acréscimo de questões sobre gênero, etnia, raça, identidade, modos de vida, experiências e práticas políticas cotidianas, formas de lazer e sociabilidade, produção teatral e literária” (2008, p. 120), que esse tipo de fonte pode proporcionar. Questões que também são interessantes na análise de mulheres lésbicas no Jornal Nuances. Utilizaremos seis edições, que estão disponíveis no acervo digital do Núcleo de Pesquisa em História da UFRGS[9] e marcam desde 1998 até 2000[10]. Destaco a pesquisa de Luciana Ketzer de Oliveira que busca analisar a visibilidade das mulheres lésbicas em Porto Alegre, de 1997 a 2011 utilizando, entre outras fontes, o Jornal Nuances. Seu foco são as Paradas Livres e como o movimento lésbico cresce a partir do Nuances, mas sem de fato analisar os textos, que é o foco dessa pesquisa.


Nuances entre a mídia gay e a visibilidade lésbica

O Jornal Nuances possui uma periodicidade irregular, publicado em formato tabloide, com o primeiro título de janeiro de 1998. Barroso (2007) aponta as características de arma política que o periódico possui, “este jornal existe em função dos (ou é contaminado pelos) desafios, das dinâmicas, das divisões internas e dos processos inerentes a este movimento.” (p. 11). Também que deve ser compreendido como uma das formas de expressão cultural do movimento homossexual brasileiro, em contexto local porto-alegrense, por vezes passando pela região metropolitana, como vamos acompanhar em um caso encontrado nas páginas do jornal.

O diferencial de estudar periódicos militantes é justamente a compreensão de que fogem da imprensa convencional,

São jornais militantes, associados (ou destinados a atender) aos objetivos da militância homossexual. Equivale a dizer que superam a ambição do colunismo social produzidos artesanalmente, típico dos jornais pioneiros, e também não se prestam à difusão de valores tais como o consumismo, o hedonismo e o individualismo, próprios dos veículos gerados pelo mercado. (BARROSO, 2007, p. 13).

É pertinente destacar que o periódico é produzido por uma ONG e possui envolvimento direto político, que podemos encontrar refletido em seus textos e matérias publicadas, desde o começo. “Uma das principais conquistas do grupo foi a proposição de alteração do artigo 150 da Lei Organica do Municipio, que trata dos direitos e garantias dos cidadãos de Porto Alegre, incluindo a não discriminação por ‘Orientação Sexual’.” (JORNAL NUANCES, Ano 1, n. 1, 1998, p. 2).

Analisando as páginas dessas primeiras edições do Nuances, encontramos a palavra “Lésbica” e semelhantes diversas vezes, contudo geralmente não apenas mencionadas juntamente a homossexualidade masculina.

Por outro lado, é preciso considerar que movimentos como o Nuances defendem uma não denominação/separação do ser feminino ou masculino. Também é verdade serem esses movimentos parceiros das lutas das lésbicas. Porém, não se pode negar uma esmagadora maior visibilidade dos chamados homossexuais masculinos (OLIVEIRA, 2013, p. 97)

Indicamos que matérias sobre bissexualidade nessas primeiras edições vão ser praticamente inexistentes. Na primeira edição do jornal apenas é apresentado uma definição, que era aceita na comunidade na época, “Homem ou mulher que deseja e mantém relações com pessoas do seu sexo e do sexo oposto. Muitos vivem dupla relação, tendo um casamento heterossexual e relações homossexuais ocasionais.” (JORNAL NUANCES, Ano 1, n. 1, 1998, p. 4). Também podemos notar que essa primeira edição parece refletir uma grande preocupação da comunidade LGBTQIA+ nos anos 1990, a crise da AIDS. E o que é mais interessante, uma das primeiras vezes que lésbicas são citadas separadamente é justamente sobre prevenção a IST[11].

Parece incoerência falar em prevenção da Aids para mulheres que fazem sexo com outras mulheres, mas em tempos bicudos como este, é melhor repetir informações, qualquer que seja ela, do que omitir ou excluir. Com o perigo da Aids e das DST’s rondando por aí, todo o cuidado é pouco. (JORNAL NUANCES, Ano 1, n. 1, p. 6).

Ainda na primeira edição temos a matéria Delicadeza até na hora de sair do armário, onde é abordado o episódio do programa de televisão “Você decide” da rede globo que foi exibido em 27 de novembro de 1997. O assunto seria a homossexualidade feminina. “Neste episódio, ‘Delicadeza’, Clara e Renata foram amigas na infância e voltam a se reencontrar na universidade. Surge entre elas um sentimento mais forte que a amizade e o público deveria optar por um dos três finais propostos”. (JORNAL NUANCES, Ano 1, n. 1, p. 8). E a decisão do público foi manter o casal junto no final. No mesmo texto é pertinente notar como a homossexualidade feminina estava representada nas grandes mídias

Nunca é possível agradar a todos. Há quem diga que o programa foi ‘light’ demais, que elas nunca falam abertamente ‘eu te amo’, que as cenas foram pouco picantes, etc, etc. Em se tratando de rede globo não surpreende nem um pouco o baixo teor de tesão, pois gastar tempo no ar com a loira e a morena do tchan é ok, é cultura, mas homossexualidade ao vivo e as cores ainda é ‘politicamente incorreto’. Mas não se enganem pensando que é por causa do fim do século que a sociedade está topando pensar e discutir ‘aquilo’. Não na tv pelo menos. A primeira alusão á homossexualidade feminina na televisão brasileira aconteceu, pasmem, em 1966, na Televisão Tupi com a adaptação do romance de Lillian Hellman. (JORNAL NUANCES, Ano 1, n. 1, p. 8).

Assim como considera o número crescente de mulheres famosas assumidas como sexualidades fora da heteronormatividade, como por exemplo a cantora brasileira Cássia Eller e a apresentadora norte-americana Ellen Degeneres. “Para personalidades públicas talvez seja mais fácil usar máxima clássica ‘sou e daí?’, mas e para a cidadã comum, como fica?” (JORNAL NUANCES, Ano 1, n. 1, p. 8).

A segunda edição que temos acesso é a número 7, onde o único caso que especificamente menciona uma mulher lésbica, se trata de uma reportagem sobre a Anistia Internacional em ação e liberta lésbica, com um caso da Romênia.

Ao contrário do nosso ordenamento jurídico, que possui vários dispositivos contra o preconceito de qualquer tipo (pouco efetivo, mas tem), o Código Penal da Romênia em seu bojo o artigo 200, parágrafos 1º ao 5º, que prevê pena de pressão para gays e lésbicas. Mariana Cetiner foi condenada a 3 anos de prisão por tentar seduzir outra mulher. A rede da Anistia Internacional (AI) considera presos de consciência as pessoas que sofrem penas exclusivamente em decorrência da sua homossexualidade. Em dezembro de 1997, gays, lésbicas, bissexuais, transexuais e outros coletivos ligados a organização da AI adotaram este caso. Foi um passo importante para a divulgação do trabalho da AI sobre o tema das homossexualidades, e fundamental para o desfecho positivo do mesmo, que resultou na libertação de Mariana em março de 1998. (JORNAL NUANCES, n. 7, p. 5)

O mais interessante sobre a edição 11 é termos uma militante lésbica escrevendo sobre representação lésbica (ou falta dela) em seriados de televisão e filmes da mídia estrangeira. A historiadora Liane Susan Muller aparece como autora de três textos: O incerto futuro de Xena (parte II), Ally McBeal entra na onda das discussões sobre lesbianismo e Fogo e Desejo, amor entre mulheres na Índia. São textos criticando as mudanças de roteiro que não assumem a lesbianidade das personagens, ou então admirando a coragem das mídias que resolvem tratar do assunto com clareza.


Os anos 2000 e as mudanças para as lésbicas nas páginas do Nuances

Como podemos ver, os primeiros anos do Nuances como jornal ainda parece mais preocupado com HIV e os textos refletem isso. Assim como foi possível perceber textos sobre lesbianidade focados em entretenimento. Logo no começo dos anos 2000 iremos notar o aumento de personagens reais e próximas das leitoras, não mais apenas ficcionais e midiáticos ou até mesmo estrangeiras. Na edição 12 temos casos de experiências de mulheres lésbicas gaúchas da região. Começando nas Notas (JORNAL NUANCES, Ano 2, ed. 12, 2000, p. 4) que apresenta o tema “Ser adolescente gay e lésbica”, posteriormente trazendo um relato de Fernanda dos Santos, de 19 anos, que desde os 15 se considera homossexual.

Outra matéria essencial para a pesquisa, Lésbicas enfrentam preconceito, que conta a história de um casal, Mara e Valquíria tentando estabelecer um bar em São Leopoldo, região do Vale do Rio dos Sinos, próxima a grande Porto Alegre. No dia 19 de janeiro os vizinhos, que trabalhavam na borracharia ao lado do estabelecimento do casal, apareceram ameaçando-as com chave de fenda na mão e insultando com “Sapatonas! Machorras!”. Só pararam quando a polícia militar apareceu. Elas prestaram queixa, aliás o texto elogia a atitude das mulheres, se fortalecendo como uma ferramenta mediadora para pessoas com orientação sexual marginalizada e o acesso a sua cidadania. O jornal constantemente incentiva seus leitores a procurar seus direitos, falando sobre os avanços das leis e conquistas que a própria ONG já esteve envolvida.

As duas falaram sobre ter dificuldades para se estabelecer no bar desde o começo. Tanto por serem lésbicas, quanto por concorrer com outro negócio local próximo, elas foram sabotadas por quinze dias. Quando as coisas estavam melhorando, já conquistado certa clientela, tudo piorou quando Mara ordenou o corte da energia elétrica que afetou o vizinho, isso se deu pois o locador do imóvel não estava respeitando o combinado quando fecharam o contrato. O bar instalou sua própria caixa de luz e o proprietário apareceu, querendo saber o que aconteceu, até às ameaçando de morte. O casal já tinha se mudado do interior de São Paulo por sofrerem preconceito, passado pelo Paraná e estavam recentemente tentando estabelecer um negócio próprio no Vale do Rio dos Sinos.

Mara já foi obrigada a fechar um bar que administrava em Taubaté – SP, em virtude da frequência de gueis e travestis: um abaixo assinado da vizinhança não desejar ‘tão desagradável companhia. E em Curitiba foi demitida de uma banda porque não quis usar batom ou colocar adereços femininos. (JORNAL NUANCES, Ano 2, n 12, p. 11)

Ainda no final o repórter reforça a participação do leitor, para que “as pessoas se manifestem, através do Jornal do Nuances, ou enviando cartas de solidariedade para o endereço do Bar”. (JORNAL NUANCES, Ano 2, n. 12, p. 11). A conclusão do caso veio na edição 13, com data de julho de 2000, seis meses depois do registro do boletim de ocorrência. E elas venceram o caso.

Justiça concedeu indenização de R$2.265,00 para casal de lésbicas


Lavínia de Moura Lopes[1]

Resumo:

Uma das fontes utilizadas para estudar os movimentos sociais são os periódicos produzidos e consumidos por eles. No contexto do movimento homossexual gaúcho temos o Jornal Nuances, publicado e distribuído pela ONG de mesmo nome. Nesse trabalho buscamos encontrar onde e como as lésbicas aparecem nas primeiras edições do jornal (1998-2000). A mídia gay e a imprensa lésbica são campos diferentes, então buscar sobre lesbianidade em um jornal que se propõe a unidade da comunidade é bastante interessante. Encontramos como a representatividade lésbica muda conforme as edições, no começo tratando apenas de mulheres na mídia e estrangeiras, posteriormente falando de casos regionais e reais.

Palavras chaves: Historiografia Lésbica; LGBTQIA+; História de Gênero; Imprensa Alternativa.

A imprensa alternativa produzida e consumida por militantes de movimentos sociais pode ser um material essencial para o estudo desses grupos. No contexto do movimento homossexual brasileiro, temos alguns nomes bem conhecidos, como por exemplo, um dos pioneiros, Lampião da Esquina[2], que se tornou referência em nível nacional ainda no final dos anos 1970. No Rio Grande do Sul podemos citar o Jornal Nuances[3], que seria diretamente influenciado, com uma relação de continuidade do Lampião (BARROSO, 2007).

O jornal gaúcho, que teve suas primeiras edições no final dos anos 1990, tem grande importância na comunidade LGBTQIA+[4] da região, sendo ainda hoje ativo como uma organização não-governamental (ONG). Fernando Luiz Barroso (2007, p. 14), em sua tese, analisa o jornal e o fator de diferenciação de outras mídias desse tipo, por ser financiado “com fundos provenientes de projetos de financiamento firmados com o governo brasileiro e agências internacionais”, e ter a distribuição gratuita. Pensando na relevância da ONG no movimento homossexual, pelos direitos humanos e pelas Paradas Livres que envolvem todas as letras da sigla, essa pesquisa busca encontrar como as mulheres lésbicas eram representadas nessas primeiras edições, no final do século XX.

João Silvério Trevisan, no livro Devassos no Paraíso, escreve que a sua intenção ao publicar sobre a homossexualidade no Brasil era “ajudar a recompor um território tantas vezes camuflado (quando não apagado) da vida e da cultura brasileira.” (TREVISAN, 2018, p. 25). Esse aspecto de trazer para a história objetos antes ignorados também é percebido no campo de História das Mulheres e História de Gênero. Joan Scott, historiadora e intelectual feminista em seu artigo Gênero: uma categoria útil para de análise histórica, onde analisa estudos sobre a História das Mulheres que utilizavam o termo gênero. E ressalta que “História é tanto objeto da atenção analítica quanto um método de análise. Vista em conjunto desses dois ângulos, ela oferece um modo de compreensão e uma contribuição ao processo através do qual gênero é produzido” (SCOTT, 1994: 13-14). E outro ponto importante que a autora questiona é o aspecto de “trazer a luz” histórias escondidas, como por exemplo, “o mundo escondido da homossexualidade”, em seu texto Invisibilidade da Experiência em que aborda os estudos sobre experiencias de categorias que foram historicamente excluídas.

Judith Butler (2003) também tem uma interessante contribuição teórica para a categoria gênero, pois questiona aspectos entre sexo/gênero e demonstra problemáticas da heteronormatividade e da heterossexualidade compulsória. Logo, perceber o papel das construções de gênero e suas relações com a homossexualidade feminina, como se relaciona entre os dois campos é essencial. E ainda assim, podemos notar a falta de capítulos, ou parágrafos que sejam, sobre mulheres lésbicas em produções sobre História das Mulheres, ou até mesmo a falta de protagonismo reservado a elas no movimento LGBTQIA+. Por isso, a importância de pesquisas como esta, em buscar uma intersecção entre esses temas.

Ainda no livro de Trevisan, temos referência ao periódico ChanaComChana[5]. Reforçamos a importância do folhetim como pioneiro do ativismo lésbico impresso brasileiro, produzido pelo GALF[6] na década de 1980. Vendido no Ferro’s bar em São Paulo, local frequentado por lésbicas e mulheres que se envolviam com mulheres. Quando o dono tenta parar a venda, temos um importante evento, chamado até de “nosso pequeno Stonewall” pelo jornal Lampião, onde as militantes se manifestaram contra a repressão sofrida no recinto, e recebem apoio de outros grupos dentro da comunidade, no ano de 1983. Também foi estudado por Paula Silveira-Barbosa e Gabriela Coutinho (2019) no artigo Lésbicas e o combate às discriminações nas páginas do boletim ChanaComChana.

Coutinho (2019) apresentou mais sobre o periódico em seu trabalho de conclusão em história Lésbicas No Debate Da Redemocratização: Uma Análise Do Boletim Chanacomchana. E Silveira-Barbosa (2021) também pesquisa os desafios de historiar a Imprensa Lésbica brasileira onde apresenta outros jornais e boletins, como Amazonas, Xerereca, um outro olhar, Deusa Terra, Libertária, Femme, Folhetim e GEM. Se na década de 1980 os grupos de defesa da livre orientação sexual vão ser engajados na campanha contra a definição patológica das sexualidades que fogem a heteronormatividade, nos anos 1990 temos as ações de combate e prevenção ao vírus HIV.

(...) diante da inércia do Estado brasileiro e da grande estigmatização dos LGBTs, a partir de discursos médicos e midiáticos, os movimentos sociais entraram em cena. Suas ações foram as primeiras medidas de combate à doença e, consequentemente, à discriminação dos portadores do vírus e de grupos considerados vulneráveis. (SILVEIRA-BARBOSA; COUTINHO. 2019. p. 98)

A maior parte desses grupos específicos se estabelece no eixo Rio-São Paulo[7], em outros estados geralmente se organiza em movimentos que tratam as questões de orientação sexual e identidade como um grupo, dificilmente tendo movimentos independentes nesse contexto.

No Rio Grande do Sul o Nuances vai ter esse papel, e a essa pesquisa busca encontrar quais textos foram publicados com a temática lésbica como público-alvo, ou pelo menos como objeto de escrita. Como elas eram vistas pelo movimento no final da década de 1990 e transição para o século XXI. E com que frequência. Também se existia algum tipo de representação sobre bissexualidade feminina, logo que é um assunto ainda menos especificado em pesquisas sobre a comunidade.

Procurando refletir sobre algumas dificuldades que Paula Silveira Barbosa (2021) vai trazer em seu capítulo os desafios de historiar a imprensa lésbica brasileira, pesquisando sobre uma perspectiva lésbica, investigando a questão da memória coletiva desse grupo. Segundo Tania Regina de Luca (2008) o uso de periódico deve ser analisado com cuidado, assim como qualquer outra fonte. Não utilizaremos o Jornal Nuances como um espelho da realidade, mas sim para refletirmos sobre as questões que envolvem a militância homossexual da época. Outros textos metodológicos de como trabalhar história e jornais seriam as armadilhas do jornal: algumas considerações metodológicas do seu uso para a pesquisa histórica de Cláudio Pereira Elmir (1995) e notas sobre uma experiência de trabalho com fontes: arquivos privados e jornais de Ângela de Castro Gomes (2015).

Outro ponto relevante é que a fonte não foi apenas utilizada deslocando seu conteúdo do contexto, na verdade é importante para a compreensão do mesmo. Para Luca (2008) o uso da imprensa como fonte começa a mudar quando o objeto da pesquisa se relaciona com o movimento operário. “Agora não se tratava mais de lidar com jornais de cunho empresarial, capazes de influenciar a vida política, mas de manejar folhas sem periodicidade ou número de páginas definidas, feitas não por profissionais, mas por militantes abnegados”. (LUCA, 2008, p. 119). O que se encaixa em como vamos analisar a mídia gay[8].

Também o uso desses periódicos alternativos é interessante para percepção dessas outras categorias. Ainda sobre a imprensa operária Luca vai ressaltar o “acréscimo de questões sobre gênero, etnia, raça, identidade, modos de vida, experiências e práticas políticas cotidianas, formas de lazer e sociabilidade, produção teatral e literária” (2008, p. 120), que esse tipo de fonte pode proporcionar. Questões que também são interessantes na análise de mulheres lésbicas no Jornal Nuances. Utilizaremos seis edições, que estão disponíveis no acervo digital do Núcleo de Pesquisa em História da UFRGS[9] e marcam desde 1998 até 2000[10]. Destaco a pesquisa de Luciana Ketzer de Oliveira que busca analisar a visibilidade das mulheres lésbicas em Porto Alegre, de 1997 a 2011 utilizando, entre outras fontes, o Jornal Nuances. Seu foco são as Paradas Livres e como o movimento lésbico cresce a partir do Nuances, mas sem de fato analisar os textos, que é o foco dessa pesquisa.

Nuances entre a mídia gay e a visibilidade lésbica

O Jornal Nuances possui uma periodicidade irregular, publicado em formato tabloide, com o primeiro título de janeiro de 1998. Barroso (2007) aponta as características de arma política que o periódico possui, “este jornal existe em função dos (ou é contaminado pelos) desafios, das dinâmicas, das divisões internas e dos processos inerentes a este movimento.” (p. 11). Também que deve ser compreendido como uma das formas de expressão cultural do movimento homossexual brasileiro, em contexto local porto-alegrense, por vezes passando pela região metropolitana, como vamos acompanhar em um caso encontrado nas páginas do jornal.

O diferencial de estudar periódicos militantes é justamente a compreensão de que fogem da imprensa convencional,

São jornais militantes, associados (ou destinados a atender) aos objetivos da militância homossexual. Equivale a dizer que superam a ambição do colunismo social produzidos artesanalmente, típico dos jornais pioneiros, e também não se prestam à difusão de valores tais como o consumismo, o hedonismo e o individualismo, próprios dos veículos gerados pelo mercado. (BARROSO, 2007, p. 13).

É pertinente destacar que o periódico é produzido por uma ONG e possui envolvimento direto político, que podemos encontrar refletido em seus textos e matérias publicadas, desde o começo. “Uma das principais conquistas do grupo foi a proposição de alteração do artigo 150 da Lei Organica do Municipio, que trata dos direitos e garantias dos cidadãos de Porto Alegre, incluindo a não discriminação por ‘Orientação Sexual’.” (JORNAL NUANCES, Ano 1, n. 1, 1998, p. 2).

Analisando as páginas dessas primeiras edições do Nuances, encontramos a palavra “Lésbica” e semelhantes diversas vezes, contudo geralmente não apenas mencionadas juntamente a homossexualidade masculina.

Por outro lado, é preciso considerar que movimentos como o Nuances defendem uma não denominação/separação do ser feminino ou masculino. Também é verdade serem esses movimentos parceiros das lutas das lésbicas. Porém, não se pode negar uma esmagadora maior visibilidade dos chamados homossexuais masculinos (OLIVEIRA, 2013, p. 97)

Indicamos que matérias sobre bissexualidade nessas primeiras edições vão ser praticamente inexistentes. Na primeira edição do jornal apenas é apresentado uma definição, que era aceita na comunidade na época, “Homem ou mulher que deseja e mantém relações com pessoas do seu sexo e do sexo oposto. Muitos vivem dupla relação, tendo um casamento heterossexual e relações homossexuais ocasionais.” (JORNAL NUANCES, Ano 1, n. 1, 1998, p. 4). Também podemos notar que essa primeira edição parece refletir uma grande preocupação da comunidade LGBTQIA+ nos anos 1990, a crise da AIDS. E o que é mais interessante, uma das primeiras vezes que lésbicas são citadas separadamente é justamente sobre prevenção a IST[11].

Parece incoerência falar em prevenção da Aids para mulheres que fazem sexo com outras mulheres, mas em tempos bicudos como este, é melhor repetir informações, qualquer que seja ela, do que omitir ou excluir. Com o perigo da Aids e das DST’s rondando por aí, todo o cuidado é pouco. (JORNAL NUANCES, Ano 1, n. 1, p. 6).

Ainda na primeira edição temos a matéria Delicadeza até na hora de sair do armário, onde é abordado o episódio do programa de televisão “Você decide” da rede globo que foi exibido em 27 de novembro de 1997. O assunto seria a homossexualidade feminina. “Neste episódio, ‘Delicadeza’, Clara e Renata foram amigas na infância e voltam a se reencontrar na universidade. Surge entre elas um sentimento mais forte que a amizade e o público deveria optar por um dos três finais propostos”. (JORNAL NUANCES, Ano 1, n. 1, p. 8). E a decisão do público foi manter o casal junto no final. No mesmo texto é pertinente notar como a homossexualidade feminina estava representada nas grandes mídias

Nunca é possível agradar a todos. Há quem diga que o programa foi ‘light’ demais, que elas nunca falam abertamente ‘eu te amo’, que as cenas foram pouco picantes, etc, etc. Em se tratando de rede globo não surpreende nem um pouco o baixo teor de tesão, pois gastar tempo no ar com a loira e a morena do tchan é ok, é cultura, mas homossexualidade ao vivo e as cores ainda é ‘politicamente incorreto’. Mas não se enganem pensando que é por causa do fim do século que a sociedade está topando pensar e discutir ‘aquilo’. Não na tv pelo menos. A primeira alusão á homossexualidade feminina na televisão brasileira aconteceu, pasmem, em 1966, na Televisão Tupi com a adaptação do romance de Lillian Hellman. (JORNAL NUANCES, Ano 1, n. 1, p. 8).

Assim como considera o número crescente de mulheres famosas assumidas como sexualidades fora da heteronormatividade, como por exemplo a cantora brasileira Cássia Eller e a apresentadora norte-americana Ellen Degeneres. “Para personalidades públicas talvez seja mais fácil usar máxima clássica ‘sou e daí?’, mas e para a cidadã comum, como fica?” (JORNAL NUANCES, Ano 1, n. 1, p. 8).

A segunda edição que temos acesso é a número 7, onde o único caso que especificamente menciona uma mulher lésbica, se trata de uma reportagem sobre a Anistia Internacional em ação e liberta lésbica, com um caso da Romênia.

Ao contrário do nosso ordenamento jurídico, que possui vários dispositivos contra o preconceito de qualquer tipo (pouco efetivo, mas tem), o Código Penal da Romênia em seu bojo o artigo 200, parágrafos 1º ao 5º, que prevê pena de pressão para gays e lésbicas. Mariana Cetiner foi condenada a 3 anos de prisão por tentar seduzir outra mulher. A rede da Anistia Internacional (AI) considera presos de consciência as pessoas que sofrem penas exclusivamente em decorrência da sua homossexualidade. Em dezembro de 1997, gays, lésbicas, bissexuais, transexuais e outros coletivos ligados a organização da AI adotaram este caso. Foi um passo importante para a divulgação do trabalho da AI sobre o tema das homossexualidades, e fundamental para o desfecho positivo do mesmo, que resultou na libertação de Mariana em março de 1998. (JORNAL NUANCES, n. 7, p. 5)

O mais interessante sobre a edição 11 é termos uma militante lésbica escrevendo sobre representação lésbica (ou falta dela) em seriados de televisão e filmes da mídia estrangeira. A historiadora Liane Susan Muller aparece como autora de três textos: O incerto futuro de Xena (parte II), Ally McBeal entra na onda das discussões sobre lesbianismo e Fogo e Desejo, amor entre mulheres na Índia. São textos criticando as mudanças de roteiro que não assumem a lesbianidade das personagens, ou então admirando a coragem das mídias que resolvem tratar do assunto com clareza.

Os anos 2000 e as mudanças para as lésbicas nas páginas do Nuances

Como podemos ver, os primeiros anos do Nuances como jornal ainda parece mais preocupado com HIV e os textos refletem isso. Assim como foi possível perceber textos sobre lesbianidade focados em entretenimento. Logo no começo dos anos 2000 iremos notar o aumento de personagens reais e próximas das leitoras, não mais apenas ficcionais e midiáticos ou até mesmo estrangeiras. Na edição 12 temos casos de experiências de mulheres lésbicas gaúchas da região. Começando nas Notas (JORNAL NUANCES, Ano 2, ed. 12, 2000, p. 4) que apresenta o tema “Ser adolescente gay e lésbica”, posteriormente trazendo um relato de Fernanda dos Santos, de 19 anos, que desde os 15 se considera homossexual.

Outra matéria essencial para a pesquisa, Lésbicas enfrentam preconceito, que conta a história de um casal, Mara e Valquíria tentando estabelecer um bar em São Leopoldo, região do Vale do Rio dos Sinos, próxima a grande Porto Alegre. No dia 19 de janeiro os vizinhos, que trabalhavam na borracharia ao lado do estabelecimento do casal, apareceram ameaçando-as com chave de fenda na mão e insultando com “Sapatonas! Machorras!”. Só pararam quando a polícia militar apareceu. Elas prestaram queixa, aliás o texto elogia a atitude das mulheres, se fortalecendo como uma ferramenta mediadora para pessoas com orientação sexual marginalizada e o acesso a sua cidadania. O jornal constantemente incentiva seus leitores a procurar seus direitos, falando sobre os avanços das leis e conquistas que a própria ONG já esteve envolvida.

As duas falaram sobre ter dificuldades para se estabelecer no bar desde o começo. Tanto por serem lésbicas, quanto por concorrer com outro negócio local próximo, elas foram sabotadas por quinze dias. Quando as coisas estavam melhorando, já conquistado certa clientela, tudo piorou quando Mara ordenou o corte da energia elétrica que afetou o vizinho, isso se deu pois o locador do imóvel não estava respeitando o combinado quando fecharam o contrato. O bar instalou sua própria caixa de luz e o proprietário apareceu, querendo saber o que aconteceu, até às ameaçando de morte. O casal já tinha se mudado do interior de São Paulo por sofrerem preconceito, passado pelo Paraná e estavam recentemente tentando estabelecer um negócio próprio no Vale do Rio dos Sinos.

Mara já foi obrigada a fechar um bar que administrava em Taubaté – SP, em virtude da frequência de gueis e travestis: um abaixo assinado da vizinhança não desejar ‘tão desagradável companhia. E em Curitiba foi demitida de uma banda porque não quis usar batom ou colocar adereços femininos. (JORNAL NUANCES, Ano 2, n 12, p. 11)

Ainda no final o repórter reforça a participação do leitor, para que “as pessoas se manifestem, através do Jornal do Nuances, ou enviando cartas de solidariedade para o endereço do Bar”. (JORNAL NUANCES, Ano 2, n. 12, p. 11). A conclusão do caso veio na edição 13, com data de julho de 2000, seis meses depois do registro do boletim de ocorrência. E elas venceram o caso.

Justiça concedeu indenização de R$2.265,00 para casal de lésbicas

Fonte: Jornal Nuances, Ano 2, n. 13, 2000, p. 10


É interessante notar como o Nuances se posiciona em sua militância, “nunca deixe de procurar seus direitos em casos de discriminação”. E a frase que aponta se tratar de uma decisão inédita no Brasil, o fato de que elas conseguiram ganhar a indenização. Com esse caso também podemos notar algo comum em estudos sobre a comunidade LGBTQIA+, as relações entre crime, justiça e controle social. Luiz Morando (2016)[12] explica que o conservadorismo da ditadura civil-militar, além de anticomunista, favorecia a conhecida boa moral e bons costumes. Notando que mesmo quando não podemos afirmar a existência de uma política de Estado que repreendia especificamente pessoas por causa da sua sexualidade, é possível localizar comportamentos de órgãos do Estado, nesse caso a polícia, contra sexualidades marginalizadas. Trevisan percebe que isso ainda segue nos anos 1990 “apesar de tolerada no Brasil, a prática homossexual acabou se tornando frequentemente um caso de polícia, ainda que não seja proibida por lei.” (TREVISAN, 2018, p. 22). Mas é curioso perceber essa mudança no começo do século XXI, pois temos uma vitória judicial para um casal lésbico e não o contrário.

Considerações Finais

Pensando em uma historiografia LGBTQIA+, mas principalmente lésbica, podemos notar como as representações de mulheres lésbicas nas páginas do Jornal Nuances vai se alterando. O que pode nos sugerir como a posição delas vai mudando dentro da militância também. Os anos 1990 ainda é marcado por um protagonismo da homossexualidade masculina sobre as outras formas de sexualidade e identidades marginalizadas, o que fica claro ao analisarmos o periódico. Ao longo da pesquisa podemos notar que geralmente o termo lésbica aparece, na maior parte das vezes, apenas quando se escreve sobre a comunidade e a luta contra preconceitos e injustiças da década de 1990, unificando o movimento como um todo e não trabalhando questões particulares delas.

Nesse momento, diferente de outros lugares do Brasil como Rio e São Paulo, o movimento descrito no jornal ainda aparece como único, nomeado sempre como gay e lésbico. Por vezes apenas se referindo como gays/homossexuais para todo o grupo. Além disso, mesmo que tenha sido possível observar um aumento da participação e inclusão de lésbicas com o passar das edições, ainda pouco se fala da bissexualidade, feminina ou masculina. Um ponto não trabalhado nessa pesquisa, se tratar de um campo diferente de estudo, mas que vale a pena mencionar, é que também pouco se fala sobre pessoas trans ou travestis no contexto dos anos 1990.

Sobre o conteúdo encontrado, é pertinente mencionar como temos uma clara mudança em como as lésbicas vão aparecer no final do século XX e no início do século XXI. Se nas primeiras edições a lesbianidade é pouco mencionada e a maior preocupação é o HIV, nas seguintes temos discussões sobre representação midiática e casos estrangeiros. Nos anos 2000 começam os casos próximos ao leitor, ou leitora, de pessoas reais e da região. E o mais interessante é como o jornal também demonstra as mudanças sociais, mesmo que os casos de preconceito sejam grandes, há possibilidades desses grupos marginalizados de conseguir uma vitória. Mesmo que seja apenas um caso, comparado a anos de repressão.

Essa pesquisa traz à luz essas experiências de mulheres fora da heteronormatividade e busca historicizar suas trajetórias. Lembrando que a homossexualidade ou bissexualidade femininas também devem ser consideradas para História das Mulheres e História de Gênero, e que a História dessas mulheres merecem ser contadas e estudadas mais a fundo, do que apenas mencionadas.

Referências Bibliográficas

BARROSO, Fernando Luiz Alves. Jornal do Nuances, a prática midiática de uma ONG de Porto Alegre – RS para o confronto político entre o “gay classe média” e a “bicha bafona”. Tese (Doutorado em Ciências da Comunicação). – Unisinos, São Leopoldo, 2007.

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SALES, Gabriela Coutinho. Lésbicas No Debate Da Redemocratização: Uma Análise Do Boletim Chanacomchana. Trabalho de conclusão de curso em bacharel em História. Universidade de Brasília. Brasília, 2019.

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SILVEIRA-BARBOSA, Paula. Os desafios de historiar a Imprensa Lésbica brasileira. In: RODRIGUES, Rita de Cassia Colaço; VERAS, Elias Ferreira; SCHMIDT, Benito Bisso.(org). Clio sai do armário: historiografia LGBTQIA+. São Paulo, SP. Letra e Voz, 2021.

SILVEIRA-BARBOSA, Paula; COUTINHO, Gabriela. Lésbicas e o combate às discriminações nas páginas do boletim ChanaComChana. Revista Trilhas da História. Três Lagoas, v.8, nº16, jan-jul, 2019. p.97-118

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Fontes

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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL. NPH Digital. Nuances - POA. Autores Célio Golin; Leandro Moraes; Luís Gustavo e Glademir A Lorensi; Marcos Rolim; Roberto Schneider Seitenfus; Roger Raupp Rios. Jornal do Nuances: NUANCES PROCESSA INSS. Porto Alegre/RS - Brasil. Abril 2000. Ano 2. Página. Ed. 12.

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[1] Graduada em História - Universidade do Vale do Sinos - Unisinos. Mestranda no Programa De Pós-Graduação em História - Universidade Do Vale Do Rio Dos Sinos – Unisinos. Bolsista de Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, CAPES, Brasil. [2] Primeiro tabloide brasileiro escrito por e para gays, de publicação mensal, ligado à imprensa independente. Produzido por intelectuais do Rio de Janeiro e São Paulo, fundado em 1978. Ver mais: GREEN, James N.. “Mais amor e mais tesão”: a construção de um movimento brasileiro de gays, lésbicas e travestis. Cadernos Pagu (UNICAMP. Impresso), v. 14, p. 10-25, 2000. [3] O movimento Homossexual Gaúcho se organiza em 1991, trocando o nome em seguida para Nuances – Grupo Pela Livre Orientação sexual, Construindo Cidadania. Também produzindo períodos de mesmo nome. Ver: GOLIN, Célio. Nuances 25 anos: uma trajetória inconformada com a norma. Porto Alegre: Nuances, 2017. [4] A comunidade e o movimento já passaram por muitos nomes e siglas, sabemos que no contexto dos anos 1990 outros nomes eram utilizados, mas utilizaremos a sigla LGBTQIA+, que significa Lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexual, transgênero, queer, intersexo, assexual e o mais para demais por ser inclusivo, e pela histórica formação que se deu justamente pelas lutas e resistência nas últimas décadas para ter seus locais e trajetórias reconhecidas. [5] Foi um folhetim publicado pelo GALF que era vendido no Ferro’s Bar, em São Paulo. Na noite de 23 de julho de 1983, o grupo foi proibido pelo dono do estabelecimento de vender no local. Rosely Roth, pioneira no movimento lésbico foi uma das principais articuladoras do ato político que se seguiu, se manifestando contra a discriminação e com engajamento não apenas das lésbicas, mas também de gays, feministas, defensores de direitos humanos, políticos e divulgação da grande imprensa. Ver mais: FERNANDES, Marisa. Ações Lésbicas. In: GREEN, James N. et al. (Org.). História do Movimento LGBT no Brasil. São Paulo: Alameda, 2018. [6] Grupo de Ação Lésbica Feminista. [7] Podemos localizar apenas o GLB, Grupo Lésbico da Bahia que foge desse eixo e as publicações do folhetim Ponto G. Ver mais: SILVEIRA-BARBOSA, Paula. Os desafios de historiar a Imprensa Lésbica brasileira. In: RODRIGUES, Rita de Cassia Colaço; VERAS, Elias Ferreira; SCHMIDT, Benito Bisso.(org). Clio sai do armário: historiografia LGBTQIA+. São Paulo, SP. Letra e Voz, 2021. [8] Por mídia gay entendemos os veículos de comunicação midiática tais como revistas, jornais e sites voltado para os homossexuais e que tratam de assuntos que devem interessar a este grupo. (BARROSO, 2007) [9] https://www.ufrgs.br/nphdigital/ [10] Nuances lança guia dos direitos humanos (Ano 1, n. 1, janeiro 1998); Gays exigem maior penetração (Ano 1, n. 7, s.d.); Tudo sobre a Parada Livre de 99 (Ano 2, n. 8); Conheça a doce fama de Pelotas (Ano 2, n. 11, março 2000); Nuances processa INSS (Ano 2, n. 12, abril 2000); Parada Livre 2000 (Ano 2, n. 13, julho 2000). [11] Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST). [12] Ver mais em: MORANDO, Luiz. Se correr o bicho pega... Repressão policial a gays e travestis nos anos 1970 em Belo Horizonte. In: AMATO, Gabriel et al. (org.) A ditadura aconteceu aqui. A história oral e as memórias. São Paulo, Letra e Voz, 2016.




Fonte: Jornal Nuances, Ano 2, n. 13, 2000, p. 10

É interessante notar como o Nuances se posiciona em sua militância, “nunca deixe de procurar seus direitos em casos de discriminação”. E a frase que aponta se tratar de uma decisão inédita no Brasil, o fato de que elas conseguiram ganhar a indenização. Com esse caso também podemos notar algo comum em estudos sobre a comunidade LGBTQIA+, as relações entre crime, justiça e controle social. Luiz Morando (2016)[12] explica que o conservadorismo da ditadura civil-militar, além de anticomunista, favorecia a conhecida boa moral e bons costumes. Notando que mesmo quando não podemos afirmar a existência de uma política de Estado que repreendia especificamente pessoas por causa da sua sexualidade, é possível localizar comportamentos de órgãos do Estado, nesse caso a polícia, contra sexualidades marginalizadas. Trevisan percebe que isso ainda segue nos anos 1990 “apesar de tolerada no Brasil, a prática homossexual acabou se tornando frequentemente um caso de polícia, ainda que não seja proibida por lei.” (TREVISAN, 2018, p. 22). Mas é curioso perceber essa mudança no começo do século XXI, pois temos uma vitória judicial para um casal lésbico e não o contrário.


Considerações Finais

Pensando em uma historiografia LGBTQIA+, mas principalmente lésbica, podemos notar como as representações de mulheres lésbicas nas páginas do Jornal Nuances vai se alterando. O que pode nos sugerir como a posição delas vai mudando dentro da militância também. Os anos 1990 ainda é marcado por um protagonismo da homossexualidade masculina sobre as outras formas de sexualidade e identidades marginalizadas, o que fica claro ao analisarmos o periódico. Ao longo da pesquisa podemos notar que geralmente o termo lésbica aparece, na maior parte das vezes, apenas quando se escreve sobre a comunidade e a luta contra preconceitos e injustiças da década de 1990, unificando o movimento como um todo e não trabalhando questões particulares delas.

Nesse momento, diferente de outros lugares do Brasil como Rio e São Paulo, o movimento descrito no jornal ainda aparece como único, nomeado sempre como gay e lésbico. Por vezes apenas se referindo como gays/homossexuais para todo o grupo. Além disso, mesmo que tenha sido possível observar um aumento da participação e inclusão de lésbicas com o passar das edições, ainda pouco se fala da bissexualidade, feminina ou masculina. Um ponto não trabalhado nessa pesquisa, se tratar de um campo diferente de estudo, mas que vale a pena mencionar, é que também pouco se fala sobre pessoas trans ou travestis no contexto dos anos 1990.

Sobre o conteúdo encontrado, é pertinente mencionar como temos uma clara mudança em como as lésbicas vão aparecer no final do século XX e no início do século XXI. Se nas primeiras edições a lesbianidade é pouco mencionada e a maior preocupação é o HIV, nas seguintes temos discussões sobre representação midiática e casos estrangeiros. Nos anos 2000 começam os casos próximos ao leitor, ou leitora, de pessoas reais e da região. E o mais interessante é como o jornal também demonstra as mudanças sociais, mesmo que os casos de preconceito sejam grandes, há possibilidades desses grupos marginalizados de conseguir uma vitória. Mesmo que seja apenas um caso, comparado a anos de repressão.

Essa pesquisa traz à luz essas experiências de mulheres fora da heteronormatividade e busca historicizar suas trajetórias. Lembrando que a homossexualidade ou bissexualidade femininas também devem ser consideradas para História das Mulheres e História de Gênero, e que a História dessas mulheres merecem ser contadas e estudadas mais a fundo, do que apenas mencionadas.


Referências Bibliográficas

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Fontes


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[1] Graduada em História - Universidade do Vale do Sinos - Unisinos. Mestranda no Programa De Pós-Graduação em História - Universidade Do Vale Do Rio Dos Sinos – Unisinos. Bolsista de Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, CAPES, Brasil. [2] Primeiro tabloide brasileiro escrito por e para gays, de publicação mensal, ligado à imprensa independente. Produzido por intelectuais do Rio de Janeiro e São Paulo, fundado em 1978. Ver mais: GREEN, James N.. “Mais amor e mais tesão”: a construção de um movimento brasileiro de gays, lésbicas e travestis. Cadernos Pagu (UNICAMP. Impresso), v. 14, p. 10-25, 2000. [3] O movimento Homossexual Gaúcho se organiza em 1991, trocando o nome em seguida para Nuances – Grupo Pela Livre Orientação sexual, Construindo Cidadania. Também produzindo períodos de mesmo nome. Ver: GOLIN, Célio. Nuances 25 anos: uma trajetória inconformada com a norma. Porto Alegre: Nuances, 2017. [4] A comunidade e o movimento já passaram por muitos nomes e siglas, sabemos que no contexto dos anos 1990 outros nomes eram utilizados, mas utilizaremos a sigla LGBTQIA+, que significa Lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexual, transgênero, queer, intersexo, assexual e o mais para demais por ser inclusivo, e pela histórica formação que se deu justamente pelas lutas e resistência nas últimas décadas para ter seus locais e trajetórias reconhecidas. [5] Foi um folhetim publicado pelo GALF que era vendido no Ferro’s Bar, em São Paulo. Na noite de 23 de julho de 1983, o grupo foi proibido pelo dono do estabelecimento de vender no local. Rosely Roth, pioneira no movimento lésbico foi uma das principais articuladoras do ato político que se seguiu, se manifestando contra a discriminação e com engajamento não apenas das lésbicas, mas também de gays, feministas, defensores de direitos humanos, políticos e divulgação da grande imprensa. Ver mais: FERNANDES, Marisa. Ações Lésbicas. In: GREEN, James N. et al. (Org.). História do Movimento LGBT no Brasil. São Paulo: Alameda, 2018. [6] Grupo de Ação Lésbica Feminista. [7] Podemos localizar apenas o GLB, Grupo Lésbico da Bahia que foge desse eixo e as publicações do folhetim Ponto G. Ver mais: SILVEIRA-BARBOSA, Paula. Os desafios de historiar a Imprensa Lésbica brasileira. In: RODRIGUES, Rita de Cassia Colaço; VERAS, Elias Ferreira; SCHMIDT, Benito Bisso.(org). Clio sai do armário: historiografia LGBTQIA+. São Paulo, SP. Letra e Voz, 2021. [8] Por mídia gay entendemos os veículos de comunicação midiática tais como revistas, jornais e sites voltado para os homossexuais e que tratam de assuntos que devem interessar a este grupo. (BARROSO, 2007) [9] https://www.ufrgs.br/nphdigital/ [10] Nuances lança guia dos direitos humanos (Ano 1, n. 1, janeiro 1998); Gays exigem maior penetração (Ano 1, n. 7, s.d.); Tudo sobre a Parada Livre de 99 (Ano 2, n. 8); Conheça a doce fama de Pelotas (Ano 2, n. 11, março 2000); Nuances processa INSS (Ano 2, n. 12, abril 2000); Parada Livre 2000 (Ano 2, n. 13, julho 2000). [11] Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST). [12] Ver mais em: MORANDO, Luiz. Se correr o bicho pega... Repressão policial a gays e travestis nos anos 1970 em Belo Horizonte. In: AMATO, Gabriel et al. (org.) A ditadura aconteceu aqui. A história oral e as memórias. São Paulo, Letra e Voz, 2016.

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