Apresentação

Por Teresa Patrícia  

A Quitinete é uma revista semestral de acesso gratuito, livre e irrestrito. Direcionada aos acadêmicos, profissionais e todos aqueles que se interessam pelo meio histórico. Se trata de um projeto da Federação do Movimento Estudantil de História (FEMEH), entidade de representação dos estudantes da Licenciatura e Bacharelado, da Graduação e Pós-Graduação dos cursos de História de todo o país.
A FEMEH tem como intuito direcionar o Movimento Estudantil de História e organizá-lo de forma democrática e combativa. Desde o ENEH de 2019 a Federação vem buscando se reaproximar da sua base, os Centros e Diretórios Acadêmicos, sejam esses filiados ou não. Dessa forma, seu objetivo é entender as necessidades das entidades, ajudá-las a serem mais ativas e combativas para assim somar forças com o Movimento Estudantil de História.
Essa revista, por ser um exemplo de reaproximação entre a Federação e sua base, irá publicar trabalhos feitos pelos historiadores, sejam eles graduandos ou graduados. É uma forma de mostrarmos as produções daqueles que nos ajudam a construir a Federação e que estão engajados na nossa luta, dialogar sobre as adversidades das minorias e defender as suas pautas. Além de ser um espaço para divulgarmos e disseminarmos os trabalhos e projetos desenvolvidos pela FEMEH.
Cada edição terá um tema principal, que será escolhido por meio de votação através das redes sociais da Federação. A primeira edição cujo  tema é "Mulher: Opressões, Lutas e Conquistas" será o espaço onde nós daremos vez e voz para quem é constantemente silenciada dentro da sociedade patriarcal na qual estamos inseridos, mas também que vem a cada dia conquistando espaços e fazendo suas vozes serem ouvidas através de muitas lutas: as mulheres. Esperamos que nossos leitores apreciem o conteúdo da revista e nos ajudem a construir as próximas edições.

Por que Quitinete?

Por Teresa Patrícia  


A escolha do nome da nossa revista se deu através de uma seleção na qual as pessoas podiam preencher um formulário divulgado no Instagram da Federação do Movimento Estudantil de História – FEMEH. A ideia era que junto com o nome sugerido também se colocasse a justificativa do mesmo. Assim sendo, tivemos seis sugestões: História Hoje, Quitinete, Oficina de Clio, Luís Carlos Prestes, Iroko e Esperança Garcia. Nossa pesquisa de opinião teve 90 votos e, com 30% dos votos, a sugestão mais votada foi para que nossa revista se chamasse Quitinete. Quanto ao ranking das demais sugestões, Oficina do Clio teve 21,1% dos votos, Esperança Garcia 17,8%, História Hoje 11,1%, Revista Luís Carlos Prestes e Iroko receberam ambas 10% dos votos. 
O nome Quitinete foi sugerido por Natanael Silva, graduando em História pela Universidade Estadual do Piauí (UESPI). A respeito da justificativa de sua sugestão ele afirmou: “Quitinete é uma pequena moradia com um ou dois cômodos e poucos móveis. A quantidade de moradores depende de onde o imóvel está situado na cidade: em uma zona nobre geralmente há quitinetes com um solteiro em busca da liberdade, uma emancipação das amarras das correntes familiares; na periferia, comporta uma família inteira. Quitinete é uma moradia menor, de baixo custo, muitas vezes passageira, as pessoas ficam até terminar seu curso superior ou até arrumar um “trampo” melhor. Essa revista é do Movimento Estudantil de História, construída por estudantes de História, logo pensar em um nome pra ela requer também pensar na estética dela, em como se encaixaria nos textos e na proposta da revista. Pensei em um nome original, como uma marca, mas que também fosse poético, que desse pra esse projeto um sentido único. Junto ao nome, imaginei algo focado no rearranjo dos móveis da quitinete, um improviso na arte de morar, também pensei que o nome era algo fácil de lembrar. Se nos atentarmos à poesia desse imóvel podemos ver nitidamente semelhanças com um historiador, alguém que aparentemente pode ser pequeno, mas com muito conteúdo e muita história.”

Capa

Eduardo Caetano

A 3° edição da Revista Quitinete contará com uma nova cara. Não é o padrão das anteriores, mas um que tenta reinventar. Como de costume teremos relatos, entrevistas, artigos, matérias e histórias de vivências que buscam uma aproximação com o tema desta edição. Nesta arte busquei refletir a História dos movimentos de luta pela reforma agrária através de uma pequena lupa de um historiador.

 
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 Apresentação
  Por Silvia Rodrigues

A História Agrária, ou História Social da agricultura, pode ser observada por olhares atentos de historiadores em diversos âmbitos, focos e recorte. É no meio rural que nossas civilizações se desenvolveram e também desenvolveram suas subjetividades. É, portanto, no meio agrário que consta uma boa parte das histórias que nos permitem escrever, pensar e construir a identidade de países e regiões afora. No Brasil a situação não é diferente, a “conquista” de uma maioria urbana no nosso país se deu apenas em meados do século passado, o alcance de uma maioria absoluta urbana é tão recente quanto nossa democracia. Dessa forma, constatamos que para escrever a história, a formação e a construção do imaginário e da labuta do brasileiro, precisamos sempre retornar a sua origem rural, e ao seu povo rural.


No ambiente rural brasileiro contamos com a mesma pluralidade de indivíduos e coletivos. Desde a política de sesmarias que se mostra, a cada estudo, diferente de um modo europeu de feudalização do território, visando aproximar e centralizar a coroa portuguesa no além-mar, e cujo debate aprimorado nos últimos anos busca conceituar melhor suas individualidades. É no ambiente rural que há conflitos latentes entre grandes senhores de terras e homens, contra
camponeses da base, que se muniam de todo conhecimento jurídico para poderem manter sua posse sobre a terra que tanto trabalhara, e que conflitava com grandes redes de poder.

No meio rural também é onde podemos estudar diversos elementos da escravidão no Brasil, desde seus primórdios até os mais cruéis e sanguinários depósitos de vida humana racializada por suas origens e sequestradas de seus lugares de nascimento. No ambiente rural podemos estudar a família escrava, as relações de poder e organizações populares, observamos daí muita resistência, que temos como herança até os dias de hoje. Os quilombos, revoluções, motins e revoltas que marcaram a história da escravidão no Brasil, e que inspiram a luta de muitos.

A partir de 1850, é no ambiente rural que introduzimos a ideia de propriedade privada no Brasil, começamos a sentir os primeiros ventos de estarmos na periferia do capitalismo, sofrendo com as diversas mudanças econômicas que mudaram a forma de se pensar o meio agrário. E com o desenvolvimento da nossa atual falecida indústria. passamos a esquecê-lo também.


Mesmo tendo 400 anos de história vividas no meio agrário, a História Social da Agricultura vem crescendo ainda aos poucos dentro das nossas bases de pesquisa pelo Brasil. Historiadores
como Carmen Alveal, Laura B. Varella, Marcia Motta, Marina Monteiro Machado e tantos outros nomes brilhantes, ajudam a promover e encorajar os estudos em História Social da Agricultura, sendo também orientadoras de novos trabalhos que trazem novos olhares para todas as coisas que importam na escrita de uma historiografia brasileira que precisa se renovar, pra ontem.


Por esse motivo, a FEMEH lança essa edição da nossa revista, buscando apresentar novas análises e contribuições, amostras de uma ampla rede de debates, pesquisas e contribuições para uma História Agrária que nos ajude a entender as questões atuais dos povos campesinos, de trabalhadores rurais, que nos faça compreender as origens do latifúndio e como ele se estabeleceu em nossa realidade atual, com o tempo passado nos ajudando a entender os desafios do tempo presente, as nossas especificidades e nossa capacidade de nos organizar pela vida e existência do povo no campo e do meio agrário.

 
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 Alô Regional!

 A Desarticulação dos Regionais

 

Na edição passada da revista tínhamos como uma das nossas colunas a ‘’Alô Regional’’, que falava sobre os trabalhos realizados pelos Regionais da Federação Nacional do Movimento Estudantil de História. Entretanto, desde então os Regionais não têm realizado trabalhos e a construção da coluna pra essa edição não foi possível, visto isso, buscando entender esse processo de desarticulação, conversamos com o estudante de história da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro- UFFRJ-IM, ele atua na FEMEH desde 2019 como membro da Secretaria Organizativa, no último Conselho Nacional de Entidades de História passou a integrar também a Secretaria de Finanças, no Regional Sudeste é membro da Secretaria de Comunicação, além disso ele também pesquisa a fundação da Federação do Movimento Estudantil de História no processo de redemocratização.


Quitinete: A que você atribui essa desarticulação dos Regionais da Federação?


Jackson: Eu diria que ao próprio processo histórico da FEMEH e a sua forma de estruturação, até hoje a Federação tem resquícios da sua atuação extremamente ligada aos encontros que ela tinha até antes de 2019. Há também o fato da dificuldade de acompanhar o surgimento das novas universidades, esses novos centros acadêmicos de história são fundados, mas não conhecem a federação ou não entendem a funcionalidade dela.


Quitinete: Falando em dificuldades e levando em conta o fato de que é papel da FEMEH Nacional manter esses regionais funcionando, quais os maiores desafios dessa tarefa?


Jackson: A parte mais difícil é manter a regularidade do contato, isso ocorre também devido ao tempo de cada gestão dos centros ou diretórios acadêmicos, porque uma gestão atualmente pode ser próxima da federação, mas se em uma eleição ela não consegue se reeleger, por exemplo, há sempre a possibilidade dos novos integrantes do centro acadêmico não serem próximos da FEMEH. Um outro problema que eu poderia citar é a própria organização regional que nós temos, há regional por exemplo que só conseguimos mapear 11 cursos de história, levando em consideração que nos organizamos em 5 secretarias e cada uma é ocupada por 3 escolas, um regional com 11 escolas é difícil até para formarmos uma Secretaria Geral. Há também o fato da dificuldade de comunicação entre as escolas de um mesmo regional  devido a diversidade cultural dos estados.


Quitinete: O processo de Pandemia contribuiu para essa desarticulação?


Jackson: Contribuiu de forma significativa. Primeiro porque impossibilitou a realização do Encontro Nacional que iria ocorrer em Julho do ano passado, há questões específicas que desrespeitam aos Regionais que só conseguimos discutir de forma presencial. A pandemia também causou a saída de muitos membros  dos centos acadêmicos, o que dificultou com que os mesmos pegassem a tarefa de ocupar uma vaga nos regionais. O próprio Ensino Remoto contribuiu muito para a falta de articulação dos Regionais, porque acabou desestimulando muitos estudantes e também prejudicou a forma de aprendizagem deles e isso foi fazendo com que a tarefa dos Regionais fosse ficando cada vez mais parada.


Quitinete: Para finalizar, o que pode ser feito para que esses Regionais voltem a ser ativos?


Jackson: Acredito que dá a continuidade a tarefa que já estamos fazendo, manter a política de acompanhamento, mas também intensifica-la. Acompanhar não só os Regionais em si, mas dos centros acadêmicos de cada região, criar juntamente com eles espaços diversificados de atuação dentro da FEMEH, acompanhar de forma mais proveitosas as gestões, incentivando que os alunos de cada universidade conheçam seus centros acadêmicos, entendam o papel deles e consequentemente se aproximem da Federação para que independente da gestão haja um conhecimento sobre a importância da Federação na atuação dos centros acadêmicos a na vida dos estudantes de história. 

 
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Olha meu CA!

Centro Acadêmico de Ciências Sociais, Socioambientais e História da PUC-SP

À primeira vista, a relação dos(as) estudantes de História com o CACS é confundida. Nosso Centro Acadêmico, ao longo dos anos de construção autônoma, não adequou seu status de Diretório - até porque nunca chegou a representar mais de cinco cursos (o que traria alterações estatutárias quanto a representação institucional). Mesmo assim, cria-se - praticamente desde a fundação do curso de História - uma ligação, regimentada pelo conjunto dos estudantes, de que o C.A também nos representaria enquanto uma entidade de base. 
No período do regime militar no Brasil, os acirramentos da luta de classe, assim como as práticas de perseguição e censura generalizada alcançaram, em dado momento, as relações sociopolíticas da PUC-SP. As informações sobre a criação da entidade e suas principais transformações estruturais até meados dos anos de 1980 foram eliminadas num processo antecipado pelos próprios estudantes e, outra parte foi destruída por agentes da polícia. 
Ao longo de nossa história, foram construídas relações com demais cursos da Faculdade, entre eles expressivamente a Geografia, num sentido prático-teórico que vinculava grande parte das pautas de reivindicação estudantil dessas áreas, assim como o florescimento das atividades de caráter de extensão que puderam ser tocadas pelos estudantes no geral. A participação de estudantes do CACS em 1997, na criação do Cursinho Popular Valdemar Gomes, refletiu num trabalho consolidado de realização de encontros e atividades com os secundaristas até 2015. Os principais problemas do C.A nesse momento foram o fechamento de turmas do noturno, da licenciatura em Ciências Sociais e eventualmente a extinção do curso de Geografia, o que significamente abalou a base e direção da entidade. 
O contexto nacional do golpe parlamentar de 2016 e a necessidade de uma resposta de massas dos movimentos sociais defronta a PUC-SP com a eleição da atual reitora Profa. Maria Amália Andery (reeleita agora no ano de 2021) que, dentre outras coisas, deu cabo ao projeto de terceirização de setores do campus e crescente vigilância das atividades estudantis no espaço físico da universidade. Observamos então um acirramento das contradições vivenciadas pelo movimento estudantil dentro da democracia universitária proposta pela instituição e vimos nossos espaços políticos sendo minados progressivamente, tanto nos conselhos deliberativos como nos corredores e espaços de convivência dos prédios. 
Nesse difícil cenário, a base estudantil via-se bastante alheia aos grandes entraves vivenciados pela direção do C.A naquele momento e, a partir de um plebiscito, foi decidida pela construção gestionária da entidade em 2017. Desde lá tivemos inúmeras dificuldades no cotidiano no M.E, o que conta com a ciclicidade dos militantes que se formam ou por vezes evadem dos cursos e também com as complexidades que envolvem lidar com diferentes currículos e diferentes "bases" estudantis.
Por vezes observamos que determinados momentos e, configurações das gestões que seguiram tendem a dar mais atenção a um curso em detrimento do outro. Isso acontece porque naturalmente os(as) estudantes que estão na gestão levam para a discussão elementos dos seus locais de estudo. A entrada na FEMEH em 2019 foi um momento de consolidação de uma relação forte com o curso de História dentro do C.A, e aconteceu de forma a gerar debates internos importantes. Desde então estar na Federação vem sendo um trabalho bastante recíproco de construção política. 
Durante a pandemia viemos tendo dificuldades renovar os(as) estudantes de História que constroem o C.A, entretanto realizamos reuniões bimestrais de repasses sobre as principais pautas do MEH e, com a recém abertura da gestão e reorganização dos nossos espaços internos esperamos seguir na construção diária do regional Sudeste e da Secretaria de Combate às Opressões Nacional nesse semestre e nos próximos! 

 

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Olha meu CA!

O Centro Acadêmico de História da UNIRIO

O Centro Acadêmico de História da UNIRIO, ou CAHUNI, se organiza estruturalmente através da autogestão desde 2016.2, com comissões e cargos de representação discente. Você confere mais informações sobre nossa organização estrutural no site https://comunicahuni.wixsite.com/quemsomos. Temos como ideal a inclusão, e não a exclusão. Um dos nossos princípios é a autonomia. Dessa forma, estimulamos para que qualquer aluna e aluno da graduação faça parte do CAHUNI, como membro ativo, propondo, debatendo e executando projetos.

Antes do início do ensino remoto na UNIRIO, em agosto de 2020, podemos afirmar que o CAHUNI se apresentou ativo com relação às dificuldades enfrentadas pelos estudantes. Inicialmente, por meio das assembleias, buscamos fazer uma aproximação com os estudantes. O CAHUNI tem como principal instância deliberativa a assembleia estudantil e constrói ao menos duas por semestre, uma no início e outra no final. Com a excepcionalidade da pandemia, o debate sobre a implantação do ensino remoto e o receio do aumento expressivo de evasão de alunas e alunos do curso, decidimos fazer as assembleias de forma mais frequente naquele período. Sendo assim, as assembleias tornaram-se quase que mensais até o final de 2020.

Na nossa assembleia realizada no dia 15 de maio de 2020, em uma tentativa de dar assistência aos estudantes, foi aprovado o encaminhamento do Fundo Emergencial do CAHUNI e constituiu-se um grupo de trabalho para gerenciá-lo. O Fundo está ativo desde junho de 2020 e é solicitado através do preenchimento de um questionário socioeconômico hospedado em formulário Google para contabilizar as informações. Todos os alunos de graduação em História da Unirio com matrícula ativa e que se encontram em situação de vulnerabilidade social devido a pandemia do COVID-19 podem fazer o requerimento. O Fundo é mantido por doações mensais, seja de cestas básicas ou ajuda financeira. Num primeiro momento tinha-se como prioridade atender os alunos cotistas e não beneficiados pelas bolsas, já que as bolsas continuam sendo pagas. Porém em decorrência da crise social e financeira em que vivemos, atualmente alunos bolsistas também podem solicitar o auxílio. Ao final do mês corrido a comissão avalia o valor total recebido, a quantidade e as especificações de cada solicitação de auxílio. As informações de matrícula são conferidas e é estabelecido um valor mínimo para todas as solicitações, e assim cada caso é estudado até o valor total de doações recebidas no mês ser usado.

O fundo é mantido majoritariamente por contribuições do corpo docente da História Unirio. Todos os meses fazemos divulgação pelas redes sociais do CAHUNI e por e-mails. Arrecadamos R$3.936,00 no mês de junho e pudemos ajudar 11 beneficiados com um auxílio mínimo de R$300,00. No mês de julho, arrecadamos R$3.025,00 e podemos auxiliar como auxílio mínimo R$200,00 para 10 estudantes. Já em agosto tivemos um número de arrecadação e inscritos abaixo dos anteriores, contabilizando R$2.407,00, podendo assim, beneficiar 7 estudantes com auxílio mínimo de R$115,00. No mês de setembro arrecadamos R$3.383,70, beneficiando 13 estudantes com um auxílio mínimo de R$113,00. No mês de outubro, arrecadamos R$3.059,70 reais e pudemos auxiliar 14 estudantes com um auxílio mínimo de R$100,00. Em novembro, tivemos o número de arrecadação mais baixo, sendo R$1.752,00, beneficiando 7 estudantes com um auxílio mínimo de R$100,00. No último mês do ano, arrecadamos R$2.600,00 e beneficiamos 8 estudantes com um auxílio mínimo de R$120,00.

Para continuar percorrendo o processo trilhado pela autogestão do CAHUNI, é preciso comentar sobre a quarta assembleia do semestre realizada no dia 14 de outubro de 2020 onde conseguimos dar início a um projeto antigo que estávamos idealizando. Neste encontro foi encaminhada e aprovada a criação da Revista Oré, a revista discente do curso de História da Unirio, dando um importante passo na produção e divulgação acadêmica de estudos e pesquisas. De lá pra cá, a Oré já recebeu novos membros, incluindo alunas e
 
alunos do EaD e da pós-graduação em História, e está no processo da sua primeira publicação, que deve ocorrer em julho de 2021. Você pode conferir mais informações sobre a nossa querida Oré em https://comunicahuni.wixsite.com/cahuni/revistaore.

Em 2020 ainda contamos com a quinta e última assembleia do ano, em 8 de dezembro. Foi encaminhada e aprovada a proposta de um questionário de avaliação do ensino remoto emergencial no período acadêmico de 2020.1. Com os dados produzidos através das respostas, foi elaborado um relatório. Sendo este, um documento institucional debatido no Colegiado que pôde auxiliar a tratar demandas referentes ao ensino remoto emergencial. Você pode conferi-lo na área de notícias do nosso site https://comunicahuni.wixsite.com/cahuni

Em 2021, seguimos com o gerenciamento do Fundo Assistencial do CAHUNI. Também lançamos o CAHUNI Destrincha, quadro que analisa músicas como fonte histórica. Você pode conferir os três episódios lançados na nossa página do Instagram @comunicahuni. E para este ano ainda temos dois grandes projetos: os encontros de formação, serão cinco encontros para debatermos Universidade Pública, ensino emancipador e o ofício do historiador. E por último, a reforma do nosso estatuto. Vida longa ao CAHUNI, a autogestão resiste!
 

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Olha meu CA!

Centro Acadêmico História

Olga Benário da UFOP

Os eventos da Pandemia da Covid 19 foram e estão sendo duríssimos para alunos de todas as universidades brasileiras, E não foi diferente para os discentes da Universidade Federal de Ouro Preto. 
Nós, do CAHIS Olga Benário, durante nossa gestão que se prolongou pelo primeiro ano da Quarentena e do Isolamento Social, buscamos medidas de garantir a comunicação e contato com os estudantes, assim como formas de auxílios econômicos a alunos necessitados.
Dentro de nossas políticas de comunicação, nos asseguramos de fazer posts frequentes no Instagram. Também criamos um grupo no WhatsApp, que serviu de mural de avisos, principalmente para reforçar as publicações no Instagram, e também para notificar nossos estudantes acerca de concursos e estágios.
Também fizemos um questionário de críticas, elogios e apontamentos que os alunos tiveram ao longo de nossas primeiras experiências digitais. Ele foi utilizado apresentado aos professores e fundamentou nossos posicionamentos acerca da educação virtual. 
Sobre nossos auxílios econômicos, levantamos cerca de seis mil e quinhentos reais através da plataforma de financiamento solidário “Vakinha”, que ajudou trinta alunos ao longo dos primeiros meses da Pandemia.

 
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Leia a 3º edição da Revista Quitinete na integra:
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 FEMEH ENTREVISTA

 

Professor Vanderlei Vazelesk

Possui graduação em História pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1998), mestrado em História Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2001) e doutorado em História pela Universidade Federal Fluminense (2006). Tem experiência na área de História, com ênfase em História do Brasil e História Latino-Americana, estudando comparativamente as políticas agrárias, os conflitos por terra e os movimentos sociais camponeses nos regimes ditatoriais (civis e militares) e democráticos da América Latina no século XX. Atualmente é professor de história da América junto ao Departamento de História e Economia do Instituto Multidiscplinar da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro.

Fonte: Currículo Lattes

 

Quitinete: Qual sua área de pesquisa na História? Poderia detalhar melhor sua temática?

R:  Bom, na verdade eu diria pra você que a minha área de pesquisa é a questão agrária. A questão agrária, claro que ela é um mundo, você pode pensar um monte de coisas. Você pode pensar, por exemplo, a questão, eu priorizo a parte social, eu estudo as lutas pela terra, os direitos trabalhistas. Atualmente estou também estudando que eu sempre olhei muito do ponto de vista dos trabalhadores, mas hoje em dia estou tentando também entender um pouco melhor o ponto de vista dos proprietários, mas isso é apenas um pedaço da questão agrária. Você pode, por exemplo, estudar uma visão acerca do que plantar, de como plantar, então tem se o embate entre agronegócio e agroecologia. Você pode também, ir mais para o lado também, do agrícola, que é por exemplo, você pensar a agricultura. Me lembro que uma vez eu estava na Argentina, eu me espantei muito que eu assisti uma apresentação em que a moça falava sobre os preços do tomate, e eu fiquei meio perplexo, e falei, mas cara, não tem confronto nessa tua análise, e ela disse, não, não tem. Quer dizer, você pode pensar como se a coisa fosse ‘’natural’’, como a gente sabe que não existem coisas naturais em relações humanas, isso é uma perspectiva que a gente tem, as relações humanas elas são construídas, elas não são feitas pela natureza, a gente interage com a natureza, claro que nós estamos subordinados a ela mas não é assim, relação homem e mulher é dessa forma, não. Então, eu estudo as questões agrárias focada nesses dois eixos: a luta pela terra e as questões dos direitos trabalhistas. E eu gosto, embora não estude isso, até porque a minha filhota teve um envolvimento com o núcleo de agroecologia da UFRJ, então, eu gosto das questões agroecológicas embora eu não as estude. Agora, dentro disso eu estudo pensando num contexto de América latina. Porque? Aí tem um ponto fundamental. Eu não consigo pensar Brasil fora da América Latina. Ou como se fala mais contemporaneamente, América Ibérica. Por mais que a gente afirme há duzentos anos que nós não somos espanhóis, né, que isso aqui não é pra gente, a gente é outra coisa, não, a gente é latino-americano, ou ibero-americano, basta a gente se lembra que a nossa republica foi proclamada a partir de um golpe militar clássico. Estou lendo agora um livro chamado Os Fastos da Ditadura Militar de Eduardo Prado, quem tiver interesse eu super recomendo, que mostra exatamente o caráter militar da primeira república, isso é algo que a gente se esquece. Você colocou um monarca pra correr, dissolveu, fechou a câmara, fechou o senado e estabeleceu um governo provisório, que nada mais foi que uma ditadura. E a gente se esquece disso. Então, eu penso a questão agrária não apenas em termos de Brasil, mas em termos de América Latina, porque você tem temas que são recorrentes como a concentração da terra, a luta pela terra, no caso dos países de fala hispânica se tem uma ênfase nas comunidades indígenas porque elas eram reconhecidas desde o processo de conquista. Aqui não. Aqui esse reconhecimento é muito tênue, e depois do Pombal as coisas ficaram mais complicadas ainda, porque com o Pombal se expulsa os jesuítas e se perde esse espaço. Então, a minha pesquisa se dá nas questões agrárias, nas questões dos conflitos pela terra, dos conflitos trabalhistas e também se dá numa perspectiva mais continental.

 

Quitinete: O que o motivou a pesquisar esse tema?

Bom, os temas da gente tem muito a ver com as nossas experiências pessoais. Eu sou filho de camponeses convertidos em operários. A minha mãe nasceu no campo, no interiorzão do Paraná, no norte do Paraná. Meu avô trabalhou como formador de fazenda de café. O que é um formador de fazenda de café? Ele tinha um contrato de trabalho que era o melhor contrato que um camponês daquela época podia sonhar no Paraná, que era, ele abriria a fazenda, desmatava, plantava o café, e você sabe que o café leva um determinado tempo pra produzir, naquele tempo eram 4 anos. Então naqueles primeiros 4 anos ele tinha que cuidar da produção do café, ele plantava, e naquele tempo até o cafezal ficar pronto, ele poderia plantar as coisas dele, criar os animais dele e o que ele produzisse ali era dele, não precisava pagar renda da terra. O único compromisso dele era no final do contrato entregar a terra. E pra ele foi muito bom, saiu de lá e comprou duas casas na cidade. Pros padrões da pobreza em que ele começou, podemos dizer que isso é um homem que se poderia dizer até de classe média baixa. Ele comprou depois um barco de pesca, só que aí tem aquele ditado né, todo pão de pobre quando cai, cai com a manteiga virada pra baixo. Quando ele comprou o barco de pesca, e ele estava ganhando algum dinheiro, veio a lei que proibia a pesca na época da Piracema, época da desova dos peixes. Isso tudo pra dizer que o velho teve que entregar o barquinho dele, deu umas confusões familiares, e aí ele acabou se deslocando pro extremo sul do Paraná, a minha mãe foi com ele. E lá ele abriu um sítio de novo, mas aí era dele. E aí ele faleceu um pouco depois. A minha mãe veio morar na casa de uma irmã dela e conheceu o meu pai dentro de um abatedouro. Meu pai marretava a cabeça do boi e minha mãe limpava as peças de carne, eles se conheceram dentro do abatedouro. Meu avô paterno trabalhava com navio, teve alguma terra e o meu pai trabalhou no campo, lidando com gado, tanto do lado brasileiro quanto do lado paraguaio da fronteira, meu pai e meu avô são do Mato Grosso do Sul, divisa com o Paraguai. Então, esse lado agrário sempre esteve muito presente na minha formação, adoro música sertaneja, adoro moda de viola, um dos presentes mais bonitos que já ganhei na minha vida foi quando minha filhota baixou pra mim uma coletânea completa de Tonico e Tinoco na internet, eu adoro. Eu cresci ouvindo essas coisas e é uma origem que não apenas eu não a nego como faço questão de ressaltar pois é a minha história. Eu não tenho nenhuma razão pra não ter orgulho da minha história. É uma história de muita luta, meus pais foram trabalhar como operários, me tornei getulista também por causa deles, não que eles sejam getulistas, tenho certeza que eles não tinham ideia disso, mas quando comecei a ver que foi com Vargas que você teve a legislação trabalhista, minha mãe por exemplo, ela cortava o dedo, ela poderia ao menos tirar um dia ou dois para descansar em casa pra poder consertar o dedo cortado, ora pombas, virei getulista, não tem jeito, né. Então, a pesquisa da gente tem muito a ver, tanto que nesse semestre estou dando um curso sobre populismo, justamente para tentar desmistificar um pouco essa lenda com relação ao populismo, que se usam o termo populismo de forma pejorativa, eu gosto de usar o termo populismo mais de forma afirmativa. Eu entendo que os populistas, Vargas, Perón e Cárdenas  foram os que fizeram algo que a gente teve de democratização no social no continente, foi a partir do impulso deles.

 

Quitinete: Adentrando o tema do getulismo e do populismo, é correto afirmar que no governo Vargas houve um esforço para se transformar as relações no campo? Como se deu esse processo?

R: Isso aqui eu sou um dos raros heróis, eu passei 6 anos da minha vida estudando isso. Na verdade, a questão é a seguinte, a revolução de 30, ela é muito lembrada pela industrialização, mas o que a maioria não se lembra e que não poderia se pensar a industrialização sem pensar o mercado interno, porque a nossa indústria não exportaria. E aí houve um impulso, uma tentativa varguista no sentido de estender uma legislação trabalhista para o campo que enfrentou uma resistência muito vigorosa das oligarquias estaduais. Quando houve por exemplo a constituinte de 1933)1933, há um momento em que um deputado ao reagir a proposta de 8 horas de jornada de trabalho ele diz ‘’mas como se hão de salvar de um incêndio na fazenda os bens se o incêndio ocorre depois das 8 horas de trabalho’’ como se alguém pra amparar alguma coisa num incêndio...Mas pra vocês verem o grau de resistência. Além da questão legislação trabalhista houve um esforço muito grande no sentido da colonização. O professor Henrique Sobral nesse momento está fazendo o doutorado dele sobre o núcleo colonial de Santa Cruz. Ele já fez o mestrado a respeito disso, ele foi trabalhar em Belo Horizonte, infelizmente para mim e felizmente para ele, ele passou para Minas Gerais e não pôde fazer o doutorado comigo. O mais importante aqui é o seguinte, a gente pensar que a ideia de colonização teria a ver também com ampliar o mercado interno, era complicado um embate direto contra o setor proprietário no sentido de se fazer uma reforma agraria, houve ate projeto pra que se separasse as terras devolutas, o que fosse terra publica e o que fosse particular. Á grita da Sociedade Rural Brasileira que representava e representa os proprietários rurais de São Paulo foi extremamente vigorosa em plena ditadura do Estado Novo. Aliás, gostaria de aproveitar para falar uma coisa que tenho falado sempre, é preciso desmistificar a palavra ditadura. Vargas foi um ditador. É preciso dizer isso sem medo de ser feliz. Quando a gente fala em ditadura, não necessariamente você está descrevendo, é lógico que não permitia oposição, que a imprensa era censurada, que não tinha parlamento salvo na experiencia de 34-37, então é preciso dizer isso, é uma ditadura. Agora, uma ditadura pode ter coisas que a gente acha positivas e a de Vargas tem bastante. Então, porque ampliar o mercado interno, pra indústria poder vender a sua produção. E óbvio, pra que o governo agregasse a sua base de apoio urbana, uma base rural também. No segundo governo Vargas, entre 51-54, é criada a Comissão Nacional de Política Agrária. O interesse de Vargas era tanto que a filha dele, Alzira Vargas foi membro da Comissão da Legislação Social. E aí você tem um episódio assim interessante, o Francisco Malta Cardoso que tinha sido secretário de agricultura de São Paulo, foi presidente da Sociedade Rural Brasileira em certos momentos, ele dizia ‘’mas querem licença maternidade para os trabalhadores? Para as mães? Mas como? O patrão não pode pagar a paternidade de outro.’’ Quer dizer, a ideia de escravidão, que é uma questão que marca muito a nossa sociedade. O cara não aceita que ele possa pagar, isso pra ele não é um direito. Então, a ideia era ampliar o mercado interno para a indústria, bem antes da CEPAL fazer disso um projeto dela em 1950. E não nos esquecendo que nesse momento da tentativa novamente de reforma agrária por meio da Comissão Nacional de Política Agrária que elaborou projetos de reforma agrária. E você vê a postura do pessoal da SRB, eles escreveram ‘’nós já nos manifestamos contra’’. A sindicalização rural que sempre foi rejeitada porque ela era vista como um fator que poderia trazer a desordem no campo, eles tinham a noção de que o campo seria um lugar de paz, de harmonia né, a nossa música caipira que eu adoro canta muito isso. Então, a ideia era sim a de ampliar a base econômica do regime e ampliar sim a base política como um todo, assim como todo regime que se preze.

 

Quitinete: Em relação ao artigo 26 do Decreto 24.964, que dispõe sobre os sindicatos profissionais no Brasil em 1934, qual o impacto disso para os trabalhadores rurais?

R: O impacto foi muito pequeno tá, porque a gente tem que pensar nas comunicações da época, tanto que o primeiro sindicato rural do Brasil é o de Campos dos Goytacazes, eu até achei um telegrama de um de Ilhéus em 1936, mas o de Campos se firmou, por conta da indústria canavieira. Só que a resistência era muito grande e esse decreto era de 1934 só que em 1935 você tem o fechamento da aliança nacional libertadora que tinha a reforma agrária como prioridade e logo depois se tem o levante comunista que foi derrotado, então criar sindicato nesse contexto era muito complicado, mas o importante aqui, os trabalhadores rurais participam da representação classista de 1934-1937, há trabalhadores rurais na câmara eleitos em 1934. 

 

Quitinete: De que forma a agitação do Partido Comunista Brasileiro ao propagar uma plataforma que vinculou terra e liberdade preocupou o governo Vargas? 

 

Eu não diria que preocupou não, eu diria que apavorou. Porque o comunismo ele foi o grande fantasma do século xx, hoje é o populismo. Não porque os comunistas mataram, mas o que apavorava era a perda da propriedade. Então quando os comunistas levantaram a bandeira de reforma agrária, e o partido comunista, você pode fazer as críticas que for, que você queira fazer a ele e algumas tem de ser feitas, mas o PC foi importantíssimo a ser o primeiro partido político organizado na república a levantar a bandeira da reforma agrária. E aí você tem dois tipos de reação, uma reação vigorosa, do tipo repressor, e a reacao do grupo de Vargas e de outros ligados a ele que buscam fazer uma vacina contra a revolução, como eu gosto de falar, em uma forma de mostrar ao trabalhador do campo e das cidades que ele tem algo mais a perder do que as cadeias, como dizia o Marx. Daí, o varguismo reprime sim, especialmente após o período de 1935, é de extrema repressão, mas também ele acena com melhorias nas condições sociais, daí o grande volume de cartas que os trabalhadores escreveram para Vargas, inclusive os do campo. Então, o fato dos comunistas levantaram a bandeira de reforma agrária foi importantíssimo, até para obrigat o poder a fazer alguma coisa ou pelo menos a dizer que ia fazer alguma coisa, porque fora disso...Em tempo, os abolicionistas no final do século xix eram chamados de comunistas, afinal de contas eles queriam tomar uma propriedade, os escravos, quando veio a abolição, o barão de Cotegipe profeticamente disse "é, a propriedade nesse país não vale mais nada, não vai faltar muito para que se tome as terras" e a princesa Isabel tinha um projeto de ceder terras nas margens de rodovias e ferrovias para os ex escravos. Talvez isso explique porque menos de 1 ano e meio depois houve esse golpe militar que derrubou a monarquia. Não se trata aqui de ser ou não monarquista, não é o caso, a questão é você entender o jogo político que se fazia. 

 

 

Quitinete: Qual o aspecto mais significativo de sua pesquisa? 

 

R: Pra mim o mais importante até hoje, primeiro, o levantar do tema agrário no governo Vargas. Não que eu tenha sido o primeiro a pensar nisso, houve gente antes de mim que pensou né, o professor Francisco Carlos Teixeira e a Maria Yedda Linhares e foi até por isso fácil pra mim fazer a pesquisa porque o professor Francisco Carlos tinha acabado de escrever o Terra Prometida, então eu fui na cola dele. Porque antes, por exemplo, o Alcir Lenharo tem um trabalho sobre questão agrária, O Trabalho e Colonização no Brasil, mas é aquela lógica PT dos anos 1980, que é desbancar Getúlio Vargas, nada que o Vargas teria feito valeria, era apenas destacar aspectos negativos do regime, que inclusive aconteceram e existiram, a gente não tem que tampar o sol com a peneira, mas é aquela coisa, não vamos jogar água suja com a criança fora. Então, eu fiz um trabalho que de vez em quando me dá saudade, e eu ainda acho que vou voltar a questões agrárias na era Vargas na minha vida porque dá saudade, é um tema assim, muito interessante. Agora por outro lado, eu adoro estar fazendo esse trabalho que eu faço agora, de estar sempre comparando Brasil com outros países, agora mesmo eu tenho que fazer um trabalho sobre Amazônia Peruana, que é bem interessante. Vou participar de um evento que vai ter agora a partir da Universidade Federal do Pará, o evento é da Amazônia a Patagônia e eu vou escrever minhas bobagens sobre a Amazônia Peruana. Então pra mim é muito prazeroso fazer isso, é um ganho pra mim enorme, agora o que mais me tocou no coração foi de fato estudar a questão agrária na era Vargas, as cartas dos campesinos, mesmo as reações dos setores proprietários, eu adoro ler a Sociedade Rural Brasileira, porque os caras eles expõem aquilo que eles pensam e ponto. Porque aí tem uma diferença, a Sociedade Nacional Brasileira e a Sociedade Nacional da Agricultura, a SNA dizia meio do jeito carioca, que "vamos fazer a reforma agrária e vamos ter um representante do nosso lado, para garantir que não vai ser feita" o pessoal da SRB, mais paulista, mais puro e duro, vai dizer "não, que reforma agrária o que, nós somos a reencarnação dos antigos bandeirantes mas nós não nos arrependemos do que fizemos quando éramos bandeirantes não, a gente se orgulha do que fez". Então, é um tema muito interessante, é um ponto que pra mim se tiver possibilidade, ainda volto a estudar o esse tema, quando leio os matérias do professor Henrique Sobral eu fico tentado a voltar a estudar o varguismo. 

 

 

Quitinete: Que fontes você indica para quem se interessa por esse tema?

 

R: Olha, as fontes você tem primeiro, aí depende muito, na verdade é você que constrói suas fontes. Quando eu queria pesquisar a questão agrária no varguismo eu lembro que uma vez o Chico Carlos falou pra mim, "Vanderlei você buscar sobre a reforma agrária vai ser difícil, mas você tem que olhar para o lado da colonização" e eu perguntei aonde e ele dizia que não sabia. Eu fui ao arquivo nacional e encontrei a Comissão Especial de Fronteiras, que continham propostas de colonização, projetos de colonização, fazendeiros tendo que explicar como foi que ele conseguiu a terra, pessoas explicando o porque tinham sido expulsas da terra, jornais de entidades de trabalhadores rurais, as revistas de entidades de proprietários, dependendo do que você esteja estudando, você quer ir para o lado mais técnico, a nossa agronomia tem uma tradição enorme, como a UFFRJ. Na verdade, a fonte ela não está lá te esperando, é você no seu compromisso como historiador que com a sua pergunta vai de alguma maneira encontrá-la. O tema sobre Vargas está por aí, depois de mim teve o Dezemone que escreveu sobre a questão agrária no Varguismo, e eu super recomendo que as pessoas procurem porque é um campo ainda bastante virgem, mas ainda, os estudantes podem pesquisar em suas regiões, cada região tem o seu arquivo público, que você pode procurar. São temas que estão aí, estão esperando, a questão indígena por exemplo, tem temas para se discutir no período varguista. Uma última coisa, um toque aos mais novos, estude o que você gostar, isso é fundamental, não faz porque o tema tá na moda, não faz porque "ai meu deus o que vão dizer", não, vai pelo coração, estuda o que você gosta, porque eu só me desenvolvi bem porque tenho prazer no meu estudo.

 
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 CONEHI Online 2021

O Brasil está passando por um dos momentos mais delicados de sua história desde o processo de distensão política (1985). A todo instante o Governo Federal lança ataques neoliberais que atingem sobretudo a juventude e a classe trabalhadora do país. Por segundo nos deparamos com notícias assustadoras de retrocessos.
Recentemente vimos o atual presidente convocar os militares para comemorarem o golpe de 1964. Indo na contramão do que defende a democracia e vários grupos organizados, como por exemplo, o movimento estudantil. Cabe ressaltar que o ME foi e continua sendo de suma importância na luta contra as opressões, foi assim em 1964 e não é diferente na atualidade. 
A história nos mostra que o movimento estudantil passou por várias fases: liberdade, resistência, silenciamento e retomada. Na atualidade a juventude continua se reinventando e buscando formas de manter os direitos já conquistados. No último período, os estudantes brasileiros ocuparam escolas e universidades Brasil afora, pendido por mais verbas, contra reformas, por mais direitos, contra o projeto genocida que se instalava no país, por mais acessibilidade nas aulas remotas dentre outros. Mais do que escolas, queremos ocupar espaço, além pautar um projeto de nação capaz de incluir todos (as). 
E foi seguindo o fluxo que no dia 13 de março de 2021, aconteceu a plenária inicial do Conselho Nacional de Entidades Estudantis de História – CONEHI, com o tema: “Para que o amanhã não seja só um ontem com um novo nome”. A atividade contou com quatro mesas, sendo a primeira: "onde está a base do Movimento Estudantil?", contando com Clara Delmonte e Gabriel Dias como expositores, discutimos sobre a atual situação econômica do país e as formas que a juventude tem encontrado para se manterem atuantes e na militância. Como sinalizado anteriormente, vivemos um dos momentos mais complexo em nosso país e a educação como sempre é um dos alvos prioritários da atual gestão.
Gabriel Dias, em sua fala chama atenção para as intervenções que os institutos federais vêm sofrendo e de como o governo federal utiliza da crise da covid 19, para continuar implementando sua cartilha da morte. Dificultando, inclusive o acesso das classes mais baixa a educação, saúde e emprego. 
Dialogando diretamente com a primeira mesa, no dia 18 do mesmo mês, Mariana Soares, aprofundou um pouco mais as reflexões sobre a "Desunião dos estudantes brasileiros e suas consequências". Mariana nos convidou a voltarmos para o ano de 2016, ano em que a então presidenta Dilma Rousseff, sofreu o processo de impeachment. 
Para muitos de nós que compõem o movimento estudantil, o golpe de 2016, foi o episódio inaugural de um processo devastador que já dura 5 anos.
O impeachment de Dilma resultou numa calamidade econômica e social sem precedentes para o Brasil e, em seguida, na eleição de Bolsonaro com uma campanha recheada de Fake News. Atualmente o que presenciamos é a aniquilação dos direitos dos trabalhadores e das trabalhadoras. Na penúltima mesa do CONEHI, Juliana Silva e Gabriel Tavares, discorreram sobre “O Movimento Estudantil nas eleições:  Como não repetir 2018?”. Eles analisaram os fatores que nos trouxeram até aqui, salientando que é impossível apontarmos um único fator para o que aconteceu. Sabemos que as eleições federais de 2018, foram manipuladas de inúmeras formas, principalmente pela operação Lava Jato, que retirou Lula da corrida presidencial resultando na vitória de Jair Bolsonaro. 
No dia 25 de março, aconteceu nossa última mesa "O Norte invisível", Clara Costa e Leandro Caldas, pontuaram sobre o apagamento e o silenciamento que o Norte vem sofrendo durante toda sua história. Sabemos que a região é extremamente rica e com muitos recursos naturais, como por exemplo, o minério, entretanto não vemos isso se refletindo na sua população. O Norte e o Nordeste concentram os maiores índices de pobreza do país.  
Os debates promovidos entre os dias 13 a 25 de março, foram de extrema importância para que pudéssemos perceber que mais do que nunca a organização estudantil será o carro chefe no enfrentamento dos retrocessos que o país vem sofrendo. A história da conta de que todo movimento passa por fluxo e refluxo, com o ME não é diferente.
Para finalizar o vento, no dia  27 de Março tivemos a Plenária Final do Conselho Nacional de Entidades de História. Dando início ao evento tivemos a fala  do estudante Gabriel da Universidade Estadual da Paraíba, na sua fala ele reitera a necessidade de unidade, falando sobre o costume de polêmicas e intrigas internas do ME, principalmente em sua cidade, onde há um racha entre duas instituições do ME. Reforça a necessidade de uma força maior (FEMEH) precisa intervir para direcionar um norte para as instituições de base lutarem pelas causas também de base. Gabriel conclui sua fala defendendo a unidade de base entre as instituições e com uma poesia de sua autoria.  Foi discutido como primeira pauta as eleições da ANPUH, um representa de cada chapa falou sobre suas principalmente, principalmente aquelas que desrespeitavam a FEMEH, diante disso houve uma votação e as escolas votaram e por unanimidade ficou decidido que a Federação apoiaria a chapa 1: Todas as vozes, todos os sotaques. Se tratando de informes, tivemos um feito pela estudante de História da UFRN Sílvia Rodrigues, falando sobre sua participação em um evento da União Nacional dos Estudantes- UNE , sobre o evento a estudante fala que a organização pecou um pouco se tratando da metodologia do evento, visto que só foi permitido 40 falas no total, pontuou também sobre a importância de construir ativamente a federação para uma presença qualitativa nos espaços nacionais de luta. O outro informe foi do estudante de História da UFMA Rommel Botafogo, que informa sobre a situação da sua Universidade, de perseguição aos estudantes e as medidas da reitoria de indicação de gestão do DCE Arbitrariamente, a administração superior reconheceu um grupo de estudantes como membros do Diretório Central dos Estudantes (DCE). No entanto existe e está em vigência uma Gestão Pro Tempore, eleita pelo Conselho de Entidades de Base (CEB) no dia 20 de dezembro de 2019, no qual, também foram ELEITOS de forma legítima os conselheiros provisórios para ocuparem cadeiras nos conselhos superiores da universidade. Foi pedido para que os Centros Acadêmicos assinassem o documento preparado pelos estudantes que estão sendo perseguidos para agitar a causa.
Dando sequência, tivemos a prestação de contas da Secretaria Geral, onde um membro de cada secretaria falou sobre as tarefas realizadas na Gestão e as dificuldades de realizar as mesmas, cada secretaria também fez uma reflexão sobre as tarefas que não foram realizadas pelas mesmas. Em seguida, houve a reorganização da Secretaria Geral, que é o momento onde as escolas podem se retirar da Secretaria Geral Nacional da Federação e novas escolas podem entrar. Na Secretaria de Combate ás Opressões que era formada pela PUC-SP, UFV e UFMG, só continuava presente a primeira escola cidade, visto que a UFV teria saído da secretaria em Outubro de 2020 e a UFMG informou anteriormente que não iria continuar para a próxima gestão da FEMEH; A secretaria de Comunicação havia 2 candidaturas nominais( dos estudantes Victor Cunha, da UFSC e do Rafael Fontes, da UFNT) e uma candidatura por escola, A FEUC, foi retirada da SG, visto que por diversas questões não estava mais conseguindo tocar a tarefa; A secretaria de Finanças era composta pela UCS e pela UFMA, a federal do Maranhão se retirou da secretaria; A secretaria de Formação era formada pela UFRN, UFMA e UFF- Campus, essa última também se retirou da Secretaria Geral da FEMEH; A secretaria Organizativa formada pela UFRJJ-IM, pela UFPI e pela UFAL- Maceió manteve a mesma composição. 
Quanto as candidaturas para integrar a Secretaria Geral da FEMEH tivemos na secretaria de Combate ás Opressões a UNEB e a candidatura do estudante da pós graduação da UFBA Lismar Lucas, na secretaria de Comunicação a candidatura da UNEAL, em Finanças a candidatura nominal do estudante Jackson Fagundes da UFRRJ-IM e em Formação a candidatura nominal do estudante Gabriel Alencar da UFAL-Maceió. Nenhuma das escolas se opôs a nenhuma das candidaturas lançadas.
A Plenária foi encerrada após a leitura dos encaminhamentos das mesas que ocorreram durante o CONEHI, vale lembrar que a gravação das mesas que aconteceram no Conselho podem ser assistidas no canal da Secretaria Geral da FEMEH no  You tube  a ATA com os detalhes da Plenária Final do Conselho pode ser encontrada no site da Federação. Por fim, esperamos que a nova gestão da FEMEH possa continuar e melhorar os trabalhos que se propor a fazer, sempre atendendo aos interesses dos estudantes de história. 

 
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 Quem disse que sumiu?

A pandemia de COVID-19 já afeta todo o mundo a mais de um ano, infelizmente, já perdemos muitas vidas em decorrência da maior pandemia do século até então, no Brasil, onde já ultrapassou a marca de mais de 360 mil mortos, a população para além de combater o vírus, vem resistindo ao governo genocida de Bolsonaro, que por conta de sua política pautada na negação da ciência, desinformação, Fake News, privatizações e também os chamados “contingenciamentos” ou melhor CORTES! Vem aprofundando ainda mais a crise sanitária, econômica e social. A partir da cartilha neoliberal seguida a risca, a população enfrenta a pandemia sem sequer ter um auxilio digno, que permita as populações mais pobres, mas principalmente os trabalhadores desempregados terem o mínimo necessário para sobreviver.
Em meio a tudo isso, nós estudantes temos enfrentado uma difícil situação, a educação que já andava cambaleando está à espera de um tiro de misericórdia, nos últimos 5 anos os cortes as instituições públicas vinham sofrendo se intensificaram, muitas universidades chegaram a divulgar a possibilidade de ter que fechar as portas por falta de orçamento, os programas de pesquisas vinham recebendo cada vez menos recursos, o que gerou cortes no numero de bolsistas e a assistência estudantil, essencial para a manutenção de boa parte dos alunos mais pobres matriculados nessas instituições sofriam com cortes e atrasos, a partir de março de 2020, com o inicio do isolamento social as atividades acadêmicas regulares (aulas, pesquisas, laboratórios, etc.) foram suspensas, e se iniciou o debate em relação a implementação do ensino remoto nas instituições públicas de ensino, de auxílios para os alunos em situação de vulnerabilidade e redução ou flexibilização de carga horaria. Em Alagoas não foi diferente, a Universidade Federal de Alagoas (UFAL) realizou a implementação do Período Letivo Excepcional (PLE) ainda em 2020 de maneira atropelada, apesar da criação de grupos de discussão com representantes dos 3 segmentos da comunidade acadêmica (docentes, discentes e técnicos-administrativos), a gestão atual da reitoria a partir de seus representantes inseridos em todas os grupos sempre buscou “agilizar” a implementação (leia a agilizar como: não escutar boa parte das questões levantadas pelos estudantes e por parte dos outros segmentos) deixando uma serie de brechas nas resoluções que regulamentam o PLE, apesar de não obrigatório, mas que não levou em consideração a situação econômica e psicológica que boa parte dos estudantes, mas também de docentes e técnicos vinham enfrentando problemas em decorrenia da pandemia, para além disso, foi após muita reinvindicação do movimento estudantil, que finalmente foi aprovado um auxilio de 100 reais para os estudantes em situação de vulnerabilidade e a distribuição de dispositivos moveis e chips para que os alunos pudessem acompanhar o PLE, contudo, a distribuição dos chips enfrentou um enormes problemas de atraso e logística , dado que muitos alunos até hoje não conseguiram ir buscar os tais chips. 
Entre o fim de 2020 e o inicio de 2021, se iniciou uma nova discussão, agora para a implementação do período remoto 2020.1, se as discussões para o PLE foram atropeladas e não levavam em consideração a realidade dos mais de 4.000 estudantes matriculados na maior instituição de ensino superior do estado espalhados por todas as regiões, do litoral ao sertão, pelos campus e unidades acadêmicas.  O período 2020.1 foi aprovado para ser realizado de forma remota, mas de forma obrigatória, um total absurdo, dado ao alcance e distribuição da internet em alagoas, mas principalmente pela fragilidade psicológica da comunidade acadêmica agravado pela segunda onda da pandemia, que levou diversos amigos e familiares de muitos de nós, para piorar, existia uma grande incógnita desde o inicio do ano, o auxilio continuaria? O ultimo edital da assistencial estudantil começaria a convocar os bolsistas? Haveriam cortes das bolsas que vinham sendo pagas? As bolsas referentes a janeiro de 2021 foram pagas ainda em dezembro de 2020, contudo, já no mês de fevereiro as bolsas atrasaram mais de 10 dias, o que  deixou os estudantes e o movimento estudantil em alerta e em buscas de respostas, até que no inicio de março saem as primeiras notícias de que o orçamento de 2021 da UFAL ainda não havia sido aprovado e que o caixa da universidade estava vazio, quando os estudantes procuram a reitoria, a resposta sempre era a mesma: o Governo federal realizou uma serie de cortes, e estamos aguardando. Enquanto isso, boletos dos estudantes iam se acumulando, os armários foram ficando cada vez mais sem alimento, mas as aulas não podiam parar! E como os discentes, os mais vulneráveis e prejudicados pela pandemia poderiam continuar assistindo aula? Como assistir aula sem internet? Os dias foram passando e as respostas sobre os atrasos das bolsas continuavam, e cada vez mais estudantes apareciam em redes sociais e reuniões do Conselho Superior buscando uma resolução para os seus problemas, até que um grupo de estudantes iniciou um movimento para divulgar a difícil situação, cada dia que passava víamos cada vez mais a #Ufalcadêminhabolsa, o DCE convocou uma reunião e junto aos centros e diretórios acadêmicos e os alunos bolsistas, buscamos agir frente ao problema,  depois de anos os discentes da UFAL organizados através do Movimento estudantil, convocou uma paralização e um dia de mobilização e divulgação. No dia 29 de março não teve aula! Teve luta! Houveram atos simbólicos por todo o estado, confecção de faixas e entrevistas para os jornais locais, o movimento foi essencial para a regularização das bolsas atrasadas, mas para além disso, mostrou a força e a solidariedade dos estudantes, que montaram redes de ajuda, doando cestas básicas e até dinheiro, e claro com a ajuda de alguns docentes que sensibilizados, colaboraram ajudando financeiramente os alunos mais vulneráveis. 
A organização do movimento estudantil é uma tarefa essencial para o combate a politica de terra arrasada de Bolsonaro, mas que também se estende as nossas instituições e as nossas pautas mais locais, de acordo com as nossas necessidades, a luta não pode parar, durante a pandemia, o movimento estudantil segue organizado e pronto para desempenhar o seu papel de destaque nas lutas diárias do povo brasileiro, em breve voltaremos para as ruas, para as praças, o ME jamais vai sumir!

 
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 Curso o que é o Marxismo?

No segundo semestre de 2020 a Secretaria Organizativa Nacional da FEMEH promoveu um curso virtual sobre o Marxismo, composto por 4 módulos. Ocorridos aos domingos entre os meses de novembro e dezembro, as apresentações e reflexões de convidadas e convidados que são estudantes da pós graduação e referencias dentro da militância visavam abarcar diferentes questões acerca do pensamento marxista. 
Os temas escolhidos dedicam-se a introdução ao método científico e a abordar questões que, dentre muitas outras, compõem parte fundamental da teoria marxista e na compreensão materialista-histórica da realidade concreta. Para além, a temática se empenha em discutir e compreender as questões das lutas feministas e a relação com a teoria marxista na luta por direitos, contra a opressão e exploração das mulheres que perpassa pelo viés de gênero, raça, classe, sexualidade e territorialidade. O curso teve inicialmente 505 inscritos e referências bibliográficas enviada aos estudantes que participaram para acompanhar as aulas e receber a certificação. Aos que quiserem prestigiar e aprender, o curso continua salvo no canal da FEMEH no Youtube.
O primeiro módulo intitulado O que é marxismo? busca apresentar as bases teóricas do pensamento marxista. A partir da mediação do encontro feita por Teresa Patrícia, graduanda em História pela UFPI, os convidados para o debate foram Matheus Lima, graduado e mestre em História pela Universidade Federal de Alagoas que contribuiu com uma importante exposição sobre o método científico em Marx e a prática, e Wanderson Dantas, graduado e mestrando em História pela UFPI e militante do PCB, que apresentou um panorama sobre a contribuição da tradição do pensamento marxista para a História para compreendermos sua conjectura.  
O segundo módulo denominado Marxismo e as Lutas Feministas expõe um balanço da relação entre as lutas das mulheres por direitos e o pensamento marxista em sua práxis. Com mediação de Teresa Patrícia, graduanda em História pela UFPI, esse módulo fora ministrado por duas professoras de História, Amélia Nunes formada pela UESPI e militante do PCB que problematizou o panorama histórico sobre a origem do patriarcado e o início das lutas das mulheres, e Maitê Peixoto, mestre em História Política, doutora em História Social pela PUC-RS e militante do PCB, que expôs acerca do sistema de opressão sobre as mulheres e apresentou a importância do pensamento feminismo marxista para a emancipação. 
O módulo três do curso aberto sobre Marxismo, se debruça no debate sobre o Marxismo e a Questão Racial. A palestra é mediada por Jackson Fagundes Amorim, graduando em História pela UFRRJ e para fomentar o debate os convidado foram Arnaldo Vitorino, militante da UJC e do movimento negro, que levanta a pauta do racismo como um sintoma ainda contemporâneo, tirando a mística que seria algo retrógrado dentro da sociedade, além de Arnaldo a palestra também conta com a participação de Talison Vasques, graduando em História pela UFRRJ e educador popular, que trás ao debate como questão racial atravessa a dinâmica da sociedade brasileira nos mais diversos campos seja político, social ou  econômico e cultural ao longo de sua história. 

 

Para concluir o curso aberto sobre Marxismo, temos como temática o Marxismo e Lutas LGBT. Mediada por Gabriel Alencar, graduando em História na UFAL, os convidados para o debate foram Luiz Sérgio Marinho graduando em História pela UFPI que expõe no debate as contradições que permeiam a política, a cultura e a sociedade de uma maneira geral, usando dessas contradições para embasar a importância de se realizar uma análise Marxista para o movimento das lutas LGBT e João Victor Cavalcante, graduando em psicologia pela UESPI que nos apresenta uma análise em relação a compreensão das  pautas que tem sido latentes dentro do recorte LGBT através de uma perspectiva classicista – revolucionária. 

O Marxismo é um tema extenso grande e variado, e até para descordar e necessário ter propriedade. Por isso te convidamos a assistir o conteúdo que está disponível de graça no canal do Youtube da FEMEH, lá você pode ver e rever todas as palestras, e caso não conheça ainda o marxismo terá a oportunidade de saber um pouco sobre ele e as mais variadas temáticas que usam seu pensamento como base.
 

 
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 RELATOS
SIMONE SILVA¹

A primeira memória de muitos dos grandes pesquisadores atuais é, com certeza, seus primeiros momentos de realização de pesquisa e trabalho com outros como ele, essas primeiras memórias surgem em seus anos de graduação, onde tudo é uma grande novidade, e é algo que nos deixa nervosos e inseguros.

            Não que eu seja uma grande pesquisadora, estou tão distante disso quanto de dominar de fato a área que escolhi para construir, num processo tão estranho quanto os conflitos que leio diariamente. Nesse relato, buscarei apresentar meus primeiros dias de vida dentro da História Agrária na minha eterna casa, o Laboratório de Experimentação em História Social da UFRN.

            O ano era 2018, numa das piores fases da minha vida emocional e acadêmica, eu nunca fui das melhores alunas e sempre soube disso, mas sempre busquei superar os problemas (ou secundarizá-los, talvez), lembro-me da minha primeira aula de História do Brasil Colônia, e lembro mais ainda do quão envolvida eu fiquei com a apresentação do conteúdo e, por óbvio, com a professora que iria ministrá-lo.

            O nome dela é Carmen Alveal, grande pesquisadora da área de Agrária cuja pesquisa influi diretamente no nosso entendimento sobre as origens de um Brasil que a gente ainda não compreendia bem. A Professora Carmen sempre foi uma mulher muito firme, daquelas pessoas que você olha e sente que quer ser igual, tanto na força, quanto no intelecto. Eu vivi intensamente as aulas, sobrevivendo a ideia de desistir de cursar História e, por mais que eu não tenha ido tão bem quanto queria nas primeiras unidades, tive certeza que entender os primeiros passos do Brasil era algo que eu queria muito fazer.

            Durante uma vigem de campo, fui convidada pela professora para atuar como fotógrafa no Encontro Internacional de História Colonial, o EIHC, que aconteceu na UFRN em 2018. Eu ainda não tinha recebido o convite para atuar no laboratório, mas eu sempre deixei muito claro pra professora o meu interesse. Depois de dias extensos de muito trabalho correndo pelo campus para fotografar o evento, que foi elogiado por todos, desde a atuação dos monitores até a organização de tudo, eu consegui finalmente a chance de conhecer e participar das atividades do laboratório.

            No primeiro mês as novidades eram tantas que eu achei que dificilmente me encaixaria, e que talvez eu tivesse me precipitado, praticar paleografia foi um dos maiores desafios que tive nesse início, mas foi onde eu descobri um talento pra desvendar facilmente a quantidade absurda de garranchos dos documentos coloniais. Depois de um tempo, paleografar era algo que eu fazia com muito prazer, ajudar os outros com as palavras mais complicadas também era muito positivo pra mim, foi assim que criei laços com pessoas que tenho certeza que serão grandes profissionais da História no futuro.

            Durante essa caminhada tive a sorte de ser contemplada com uma bolsa de iniciação científica, uma aposta muito firme da minha orientadora, uma aposta que veio em boa hora e que me ajuda até hoje a entender o quão desigual é o ambiente acadêmico e o quanto precisamos garantir que pessoas como eu, que vieram da periferia, que não foram preparadas no ensino básico para tal, possam ocupar e escrever a ciência e construir uma nova História da Historiografia Brasileira.

            Para além disso, a História Agrária me deu mais motivos para ser militante, o LEHS me deu mais motivos para entender a Universidade e seus desafios. A sorte de dar meus primeiros passos na pesquisa enriqueceu minha vontade de que mais pessoas como eu possam fazer o mesmo, e que não seja apenas por sorte. Eu sei que não falei sobre o meu trabalho em si, mas só posso apresentado quando terminado, e eu espero que seja em breve.

            No final das contas, o interesse pela História Agrária me fez entender uma série de coisas que outrora eu não entendia, me fez questionar toda a tradição e, acima de tudo, me deu uma família de amigos-pesquisadores que estiveram comigo em todos os momentos que ousei desistir, além de uma orientadora cuja existência eu agradeço diariamente, mesmo com todas as cobranças e dificuldades.

            Se esse relato serve de alguma, que sirva pra que quem o leia não desista tão fácil da Universidade, externando o meu desejo de que ela seja no futuro feita e construída por pessoas como eu e a maioria dos estudantes que sonham em suas periferias. O caminho doloroso é menos doloroso quando temos amigos e com quem contar, e é meu desejo que todos que leram ou não, que a trajetória no ambiente acadêmico seja um novo rumo pra como vemos o nosso passado e como encaramos nossas limitações.

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¹Descrição da Simone Silva: Educadora popular, militante do MST, graduada em pedagogia da terra
pela UFPA e mestra em desenvolvimento territorial pela UNESP

SILVIA RODRIGUES²

A primeira memória de muitos dos grandes pesquisadores atuais é, com certeza, seus primeiros momentos de realização de pesquisa e trabalho com outros como ele, essas primeiras memórias surgem em seus anos de graduação, onde tudo é uma grande novidade, e é algo que nos deixa nervosos e inseguros. 
   Não que eu seja uma grande pesquisadora, estou tão distante disso quanto de dominar de fato a área que escolhi para construir, num processo tão estranho quanto os conflitos que leio diariamente. Nesse relato, buscarei apresentar meus primeiros dias de vida dentro da História Agrária na minha eterna casa, o Laboratório de Experimentação em História Social da UFRN.
   O ano era 2018, numa das piores fases da minha vida emocional e acadêmica, eu nunca fui das melhores alunas e sempre soube disso, mas sempre busquei superar os problemas (ou secundarizá-los, talvez), lembro-me da minha primeira aula de História do Brasil Colônia, e lembro mais ainda do quão envolvida eu fiquei com a apresentação do conteúdo e, por óbvio, com a professora que iria ministrá-lo. 
   O nome dela é Carmen Alveal, grande pesquisadora da área de Agrária cuja pesquisa influi diretamente no nosso entendimento sobre as origens de um Brasil que a gente ainda não compreendia bem. A Professora Carmen sempre foi uma mulher muito firme, daquelas pessoas que você olha e sente que quer ser igual, tanto na força, quanto no intelecto. Eu vivi intensamente as aulas, sobrevivendo a ideia de desistir de cursar História e, por mais que eu não tenha ido tão bem quanto queria nas primeiras unidades, tive certeza que entender os primeiros passos do Brasil era algo que eu queria muito fazer.
   Durante uma vigem de campo, fui convidada pela professora para atuar como fotógrafa no Encontro Internacional de História Colonial, o EIHC, que aconteceu na UFRN em 2018. Eu ainda não tinha recebido o convite para atuar no laboratório, mas eu sempre deixei muito claro pra professora o meu interesse. Depois de dias extensos de muito trabalho correndo pelo campus para fotografar o evento, que foi elogiado por todos, desde a atuação dos monitores até a organização de tudo, eu consegui finalmente a chance de conhecer e participar das atividades do laboratório. 
   No primeiro mês as novidades eram tantas que eu achei que dificilmente me encaixaria, e que talvez eu tivesse me precipitado, praticar paleografia foi um dos maiores desafios que tive nesse início, mas foi onde eu descobri um talento pra desvendar facilmente a quantidade absurda de garranchos dos documentos coloniais. Depois de um tempo, paleografar era algo que eu fazia com muito prazer, ajudar os outros com as palavras mais complicadas também era muito positivo pra mim, foi assim que criei laços com pessoas que tenho certeza que serão grandes profissionais da História no futuro. 
   Durante essa caminhada tive a sorte de ser contemplada com uma bolsa de iniciação científica, uma aposta muito firme da minha orientadora, uma aposta que veio em boa hora e que me ajuda até hoje a entender o quão desigual é o ambiente acadêmico e o quanto precisamos garantir que pessoas como eu, que vieram da periferia, que não foram preparadas no ensino básico para tal, possam ocupar e escrever a ciência e construir uma nova História da Historiografia Brasileira. 
   Para além disso, a História Agrária me deu mais motivos para ser militante, o LEHS me deu mais motivos para entender a Universidade e seus desafios. A sorte de dar meus primeiros passos na pesquisa enriqueceu minha vontade de que mais pessoas como eu possam fazer o mesmo, e que não seja apenas por sorte. Eu sei que não falei sobre o meu trabalho em si, mas só posso apresentado quando terminado, e eu espero que seja em breve. 
   No final das contas, o interesse pela História Agrária me fez entender uma série de coisas que outrora eu não entendia, me fez questionar toda a tradição e, acima de tudo, me deu uma família de amigos-pesquisadores que estiveram comigo em todos os momentos que ousei desistir, além de uma orientadora cuja existência eu agradeço diariamente, mesmo com todas as cobranças e dificuldades. 
   Se esse relato serve de alguma, que sirva pra que quem o leia não desista tão fácil da Universidade, externando o meu desejo de que ela seja no futuro feita e construída por pessoas como eu e a maioria dos estudantes que sonham em suas periferias. O caminho doloroso é menos doloroso quando temos amigos e com quem contar, e é meu desejo que todos que leram ou não, que a trajetória no ambiente acadêmico seja um novo rumo pra como vemos o nosso passado e como encaramos nossas limitações. 

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² Estudante de História da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, coordenadora-geral de licenciatura
do Centro Acadêmico de História da UFRN, coordenadora de Organização Estudantil do DCE e membro Secretária
de Formação da FEMEH Nacional e da FEMEH Norte/Nordeste.

 

ARTIGOS

 

EQUIPE EDITORIAL

 

Editora chefe
TERESA PATRÍCIA
Graduanda em História pela Universidade Federal do Piauí, Diretora de Planejamento do Centro Acadêmico de História Igo Castro Carero - UFPI. Menbro da Secretaria Organizativa da FEMEH Nacional e da Regional Norte Nordeste.

 


Equipe entrevista e coluna
ROBERTO MEDEIROS
Graduando em Licenciatura em História pela UNIRIO, membro da comissão de documentação e patrimônio do Centro Acadêmico de História da UNIRIO.

 

ANA GONÇALVES
Graduada em Licenciatura Plena em História pela Universidade do Estado da Bahia, coordenadora do Grupo de Pesquisa e Estudos sobre Alagoinhas, Coordenadora do Fórum da Juventude Preta Baiana.


BEATRIZ LOPES
bacharelanda em História pela UFMG.


SILVIA RODRIGUES
Estudante de História da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, coordenadora-geral de licenciatura do Centro Acadêmico de História da UFRN, coordenadora de Organização Estudantil do DCE e membro Secretária de Formação da FEMEH Nacional e da FEMEH Norte/Nordeste.

 


Equipe de correção textual
VICTOR CUNHA
Graduando em História pela Universidade Federal de Santa Catarina e membro da Secretaria Nacional de Comunicação da FEMEH.

 


HÉLIO ANDRADE
Graduando em pela História da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro Campus Nova Iguaçu.

 


Equipe de Projeto Gráfico
EDUARDO CAETANO
Graduando em História pela Universidade Estadual de Alagoas - UNEAL. Coordenador Geral do Centro Acadêmico de História Zezito Guedes, Campus 1 e membro da Secretaria Nacional de Comunicação da FEMEH.

 


GABRIEL ALENCAR
Graduando de História - Licenciatura pela UFAL, membro do Centro Acadêmico de História Dirceu Lindoso e membro da Secretaria Nacional de Formação da FEMEH.
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